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Marcos A Cavalcanti

Todo pescador e caçador é mentiroso?

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Dizem e as vezes É VERDADE.

Recebi um e-mail de um companheiro, que citava que antigamente havia mais fiscalização da pesca e da caça do que existe hoje e é verdade?

Daí, como meu negócio é contar estórias e em relação ao assunto, lá vai mais uma ,ou melhor, duas:

1ª) – Sem falsas desculpas, na época, se bem que não era nosso hábito, eu, meu falecido sogro e meu cunhado fomos pescar no Rio da Várzea, lá nos cafundós da Lapa/Pr e o “veio” (assim o chamávamos), levou uma redinha de lambari.

Pois bem, na manhã seguinte ao recolher a mesma do rio, alem de vários lambaris, capturamos três cascudos.

De repetente, eis que escutamos um barulho de um barco e pudemos identificar tratar-se de fiscais, então, o veio, saiu numa desabalada carreira para dentro do mato da vargem, para esconder a dita rede, voltando pelo outro lado.

É claro que eles desceram do barco e vieram fiscalizar, mais o que nos denunciava, eram os cascudos, foi então, que resolveram adentrar na mata e por sorte na direção que meu sogro havia saído, senão, estávamos mesmo é futricados.

Como não fomos pegos "com a boca na butija" nos livramos do pepino com as tradicionais desculpas esfarrapadas e como eram poucos cascudos eles fingiram acreditar, deixando pra lá.

2ª) Tempos antes, meu querido “veio” que alem de pescador foi um caçador inveterado, vivia contando suas façanhas, das perdizes e codornas que caçava nos campos de uma fazenda na Lapa e eu, caçador de cetra quando guri, não tive dúvida, comprei espingarda, cartuchos prontos, cartuchos á serem municiados, pólvora e chumbo de caça, facão, bota e toda parafernália necessária e íamos caçar em vários locais, entre os quais, na serra do mar, onde pegávamos o trem que ia á Paranaguá ás 7 da matina, descendo na estação do local chamado “Banhados” e nos embreávamos numa “picada” de alguns quilômetros e dá-lhe tiro, nos sabiás, rolas, enfim, tudo o que encontrávamos.

Numa destas ocasiões, lá estávamos nós, nos adentramos na dita picada, bem mais longe do que de costume e o tempo passou, então voltando, tínhamos que chegar na dita estação lá pelas 16,00 horas e ao sair da mata, vimos o trem partindo.

Nem adiantou correr, pois o mesmo logo imprimiu velocidade e não o alcançamos, fazer o que?

A única alternativa era passar a noite no local, que por sorte, tinha como comprar algum alimento, já que aquele que levamos consumimos e compramos então pão e uma rodela de salsicho e uma garrafa de gazoza. Ah! Ia esquecendo, uma garrafinha de coca cola, evidentemente com pinga, para aquecer do frio da noite.

Além disso, resolvemos pernoitar na própria picada, uns 500 metros dentro da mesma.

Pois bem, era época de inverno, então, antes de escurecer, resolvemos juntar lenha para uma fogueira, porem o que mais encontrávamos eram taquaras sêcas, então, juntamos uma "montanha" delas, exagero é claro.

A noite chegou, ascendemos a fogueira e a alimentavámos com as taquaras e o tempo ia passando, até que resolvemos tentar dormir.

As taquaras acabaram, mais ficaram as brasas que ajudavam á nos aquecer, mais no silêncio da noite, escutávamos ruidos, estouros, estes eram de taquaras que se raxavam por estarem sêcas, então, quem disse que íamos pegar no sono?

Algum tempo depois, escutamos um barulho diferente, de imediáto nos sentamos e olhamos para o lado e vimos "dois olhos vermelhos dentro da mata".

Eu não sabia, mais meu sogro tinha com ele uma "garrucha" de dois canos e é claro, mandou bala em direção ao que vimos.

Não sei se acertou, mais a "coisa" se embrenhou mata adentro e quem disse que voltamos á dormir.

O dia clareou e como tínhamos que aguardar a volta do trem no mesmo horário do dia anterior, resolvemos ver o que tinha vindo nos visitar.

Para quem já foi num local parecido com aquele, sabe que o taquaral e a mata, por sua altura, fáz com que sumamos no seu interior, de forma que, se mantivermos poucos metros um de outro, nem mesmo nos enxergamos.

Realmente "a coisa", havia levado tudo pelo peito, deixando seu rastro, até que chegamos á um córrego e lá estava o sinal de suas patas, que segunda meu sogro, tratava-se de um "leaozinho da cara preta", assim era conhecido aquele felino.

Bem, foi na verdade uma experiência extraordinária, se vocês não acreditarem, tentem fazer o mesmo.

Mais não era só lá que caçavamos, n`outra ocasião, o veio nos levou á uma fazenda da Lapa, onde caçava as ditas codornas e perdizes. Se bem que nesta, não podíamos caçá-las por serem pouquíssimas, bem como, não tínhamos "cachorro perdigueiro", que no passado ele possuía.

Porem não importava, o negócio era o seguinte: Tinha pena, lá ai tiro.

Na volta da mesma e aí o mais importante:

Na entrada de Curitiba, na Br116 no bairro Pinheirinho, tinha o posto da polícia rodoviária que fiscalizava não só a pesca, mais na ocasião, a caça, pois se realizavam as mesmas também no inverno.

Claro, fomos parados, tivemos que apresentar o porte de arma, licença de caça e certamente, tirar todas as tralhas da Rural do veio.

Revistaram tudo, só que por previdência, colocamos os pássaros caçados, dentro de um culote de água, que ficou no assoalho do banco da frente, onde o primo de meu sogro estava sentado, com os pés sobre o mesmo.

Daí o guarda perguntou:

E aí dentro o que é que tem?

O seu Augusto, primo do sogro respondeu: água de mina.

O guarda resolveu comprovar e retirando a mesma, a sacudiu e sabem o que aconteceu...

Nada, tinha mesmo água, devidamente recheada dos pássaros e nós nos safamos.

Bem, o propósito era mesmo de afirmar que naquela época havia a “dita fiscalização”, mais vocês acham que eu ia perder a oportunidade de “florear” o assunto?

Se enganaram.

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