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Murilo Nogueira

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Histórico de Reputação

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    Murilo Nogueira deu reputação a Marcel Werner em Anzóis no lugar de garatéias - como e porque.   
    Após dois anos usando anzóis single/inline nas minhas iscas, hoje cheguei a um ponto que não uso garatéias. 
     
    Apresentarei neste tópico todas as análises que fiz e os resultados que obtive, me levando a tomar esta decisão.
     
    Não pretendo aqui ser dono da verdade, já tem muitos fazendo este papel. Mantenho minha cabeça aberta, pois a mesma convicção que tenho hoje quanto a anzóis, já tive de pensar estar fazendo o certo com garatéias. Que venha uma discussão saudável.
     
    O problema original
     
    As garatéias que vêm nas iscas são projetadas, geralmente, para a pesca do bass. Tucunarés pequenos abrem com muita facilidade essas garatéias. Eficientes para o bass, as garatéias originais das iscas, para tucunaré, são inúteis.
     
    A análise errada sobre a resistência das garatéias é que os anzóis que a compõem são finos e de material fraco, errada porque desconsidera qualquer outro fator. Daí, a "solução" encontrada foi a substituição por anzóis triplos cada vez mais grossos e resistentes, ignorando todas as outras variáveis e obtendo um resultado que nunca me deixou satisfeito. Por mais reforçadas que sejam, as garatéias continuam abrindo e, poucos percebem, proporcionando fisgadas superficiais - este item é, na minha opinião, o maior vilão para suas capturas.
     
    A minha análise leva em consideração muitos fatores da pescaria, e não a resistência do anzol como fator isolado. Na prática, e em resumo, os anzóis são mais resistentes que as garatéias, a ponto de resolverem esta questão, mas vamos falar de cada item que analisei.
     
    O GAP ou abertura do anzol
     

     
    O espaço entre a haste e a ponta do anzol deve ser proporcional ao tamanho da boca do peixe. Parece simples, mas isso é ignorado pela maioria dos pescadores. Uma garatéia de tamanho #1, normalmente usada na T20, a isca mais comum na pesca do tucunaré na Amazônia, tem uma abertura tão pequena que é a mesma de um anzol utilizado na pesca de tilápias em pesqueiros, ou de pequenos peixes de praia. A desproporção é evidente. O resultado é que muitas fisgadas são superficiais, o famoso "pelo fio do bigode", que costuma resultar em fuga do peixe por rasgar aquele fiozinho.
     
    Na substituição por anzol, há um ganho de abertura que leva a fisgadas mais consistentes, com mais material da boca do peixe, que fica mais difícil de rasgar. Engana-se quem acha que 3 pontas levam a uma maior chance de trazer o peixe até o barco. Embora sejam mais chances de perfuração, os anzóis não fixam firmemente em grande parte das vezes.
     
    Para o argumento numérico, deixo a eficiência do fly, da colher e do jig como reflexão.
     
    O comprimento da ponta do anzol
     
    O tucunaré salta bastante e chacoalha a cabeça. Também chacoalha dentro d'água. Esse é um dos pontos mais fáceis de visualizar. Quanto mais comprida a ponta, mais difícil de desfazer a volta e escapar. E a comparação se torna muito clara.

    O ponto de apoio do peixe no anzol
     
    Eu não sou muito bom de física, mas quando o peixe apóia o peso dele na ponta do anzol, abre mais facilmente, enquanto que a mesma força na curva do anzol é muito mais difícil de abrir. Num anzol triplo, é frequente que duas pontas fixem no peixe, então ele fica apoiado em duas pontas e nenhuma curva. Aparentemente, é mais fácil abrir duas pontas de uma garatéia (já me aconteceu dezenas de vezes) do que abrir um anzol simples. Como eu disse, não sou expert nesse ponto, é minha observação como leigo no assunto.
     
    A espessura dos anzóis
     
    Um anzol inline pode (dependendo do modelo) ser mais grosso do que cada anzol da garatéia que substitui, e ainda assim ser mais leve. Portanto, na quantidade de material e resistência à tração, o anzol tende a ser mais forte. Não testei em laboratório, somente uso prático.
     
    Aliás, cabe lembrar que testes de laboratório frequentemente contradizem a prática, no tocante à resistência das garatéias. Os peixes não abrem tão facilmente as garatéias Owner como sugerem os testes, nem as VMC são tão indestrutíveis assim. Há diferença, mas ela é muito menor na boca do peixe do que no laboratório, além da questão do GAP.
     
    A isca na boca do peixe
     
    Este item é fundamental para mim. Quando pescamos, queremos que o peixe morda a isca. As bocas dos predadores suportam muitas injúrias, que acontecem naturalmente na alimentação do peixe, e é por isso que as perfurações não são danos tão importantes. Me incomodam as fisgadas na cara do peixe, na lateral, em qualquer lugar que não seja a boca. Já presenciei olhos sendo arrancados por garatéias, e já deixei alguns peixes cegos durante a briga. A sensação é das piores! 
     
    Com o uso de anzóis, a isca fica menos volumosa, enxarutando melhor. As fisgadas com anzóis costumam acertar no canto da boca, o famoso "canivete", não sei o motivo ou a dinâmica disso, é o que constato nas minhas observações.
     
    A remoção do anzol também é muito suave, bastando desfazer a volta no sentido da curvatura. Por serem muito fechadas, as garatéias frequentemente travam, demandando puxões mais fortes ou trancos para a remoção. Quando são duas pontas da mesma garatéia, pior ainda.
     
    O tempo de manuseio é um dos maiores fatores de estresse ao peixe. A redução desse tempo é fundamental para uma melhor sobrevivência dos animais e prática mais correta da pesca esportiva.
     
    O equilíbrio da isca
     
    Este item é bastante polêmico. O menor volume do anzol proporciona um arremesso melhor, por menor arrasto no ar. Isso vale para 100% das iscas que testei.
     
    Porém, também diminuirá o arrasto da isca na água, modificando seu nado. Embora pareça uma vantagem, não são todas as iscas que reagem bem. A GC Waka-Pen é um modelo que eu não consegui acertar com anzóis de nenhum modelo. A Fakie Dog 70 ficou perfeita e a 90 não prestou. A Saruna é uma isca que desliza muito na água, nos tamanhos 110 e 125 fica deslizando demais, a ponto de atrapalhar o nado. Para a enorme maior parte dos modelos, fica mais leve e suave de trabalhar, melhora o trabalho da isca, mas há exceções como exemplifiquei.
     
    A flutuabilidade também será alterada, porque os anzóis são mais leves. Isso é vantagem quase sempre, mas também pode haver exceções. Alguns poppers podem ficar pulando, outras iscas podem ter suas possibilidades de trabalhos diminuídas - ou aumentadas. Na minha experiência, as iscas ficaram ainda mais atrativas com o nado mais solto.
     
    As hélices tendem a girar mais. O arrasto das garatéias na água ajuda a evitar o giro do corpo da isca. Claro que a puxada fica mais leve, mas a maior desvantagem desse tipo de isca é torcer a linha. Curiosamente, meus testes ficam muito melhores com iscas de hélice de tamanhos pequenos. Mas sigo testando - renderá tópicos específicos no futuro.
     
    Desvantagens
     
    Sem dúvida, o pouco conhecimento e prática são os maiores desafios nessa transição. Estou aprendendo tudo na raça, gastando tempo e dinheiro para obter este conhecimento.
     
    Outro fator é que os anzóis são bem caros. Nas iscas pequenas, podemos usar os VMC com segurança, mas nas iscas grandes para Amazônia não dá. Tem que ser Decoy 3/0 para quase todas as iscas, pois os Owner abrem facil neste tamanho e o VMC não dá nem pro cheiro. Nas hélices, como usamos 4/0 até 6/0 dependendo do tamanho da isca, nesses tamanhos os Owner podem ser suficientes, e os Decoy continuam sendo os melhores. O modelo da Decoy mais indicado é o Jigging Single (há ainda o modelo plugging e o castin, excessivamente grossos e com formato mais aberto).
     
    Um capítulo à parte são as grandes iscas de hélice. Como o peixe não coloca a isca dentro da boca, e sim a atravessa, as fisgadas diminuem. Também não há grandes ganhos de qualidade de fisgada, porque garatéias 2/0 em diante já são suficientes para agarrar bem na boca do tucunaré. Então para iscas acima de 15 cm, pode ser uma troca desvantajosa. Eu mantenho o uso por uma questão de testes, mas ainda considero a garatéia mais eficiente neste tipo de isca - com a ressalva das fisgadas fora da boca, que considero anti-esportivas. É meu grande ponto de dúvidas.
     
    Segurança
     
    Obviamente, o anzol é muito mais seguro para nosso manuseio do que as garatéias. Contudo, uma boa fisgada em nossa carne poderá ser mais traumática, já que a penetração pode ir muito mais longe, além da maior espessura. Amassar as farpas pode ser muito interessante, eu faço isso para principiantes.
     
    Quando um pescador acerta um piloteiro, parceiro ou ele mesmo, seja no arremesso ou puxando a isca que estava enroscada, as chances de acidentes são menores.
     
    Na Amazônia, é muito comum o guia mergulhar para buscar um peixe que enroscou. É muito mais seguro fazer isso quando se usa anzóis, devido ao menor número de pontas soltas - quando há.


     
    Vantagens adicionais
     
    Cabem muito mais iscas em cada estojo. Isso pode significar um estojo a menos no barco ou na mala de viagem.
    As iscas enroscam menos umas nas outras no estojo, facilitando pegar.
    As iscas não enroscam no capim e enroscam muito menos em qualquer outro tipo de estrutura. 
    Se o peixe for pro enrosco, dificilmente acertará a única ponta solta na galhada - isso se houver ponta solta, pois geralmente a isca fica toda dentro da boca.
    As iscas se desgastam muito menos! Tenho Bonnies com uma semana de uso e não estão marcadas quanto estariam em apenas duas horas de uso com garatéias. Usando anzóis, as iscas carregarão principalmente as marcas das bocas dos peixes, ficando muito mais belas e cheias de histórias para contar. Tenho uma repulsa por iscas que ainda estão novas, mas têm aquela marca profunda de garatéia.
    Vários pontos de enrosco bem fechado que não arriscaríamos arremessar, com anzóis podem ser muito melhor explorados, sem medo da isca ficar lá e nem do peixe se prender após fisgado. Também vale para vegetações, pedras etc.
     

     
    Regra básica de substituição 
     
    Os anzóis não devem ser capazes de se cruzar. Em alguns casos raros, o equilíbrio depende de anzóis tão grandes que isso pode acontecer.
    Os anzóis devem ser os maiores e mais reforçados possíveis, desde que não atrapalhem o nado da isca.
    Os anzóis devem ser proporcionais à boca do peixe-alvo.
    Os anzóis devem ter as pontas em direções opostas em zonas limpas ou com apenas capim. Se houver mais vegetações ou nas galhadas de mangue, as duas pontas devem ficar viradas para trás. Nas iscas de hélice, eu não uso no pitão da hélice, mas se você for colocar, a ponta deverá ficar para frente, senão ela bate na hélice durante o trabalho e perde o fio em poucos minutos de trabalho. Mas esse anzol atrás é totalmente dispensável, pois é raro ele acertar o peixe e costuma quebrar a isca quando pega ali, além da própria hélice ser um empecilho para acertar bem o peixe.
    A resistência tem muito a ver com a vara utilizada, e não significa que todos os tamanhos de anzóis de uma determinada marca são bons. Farei tópicos mais específicos sobre as particularidades de cada modelo.
     

     
    Minha postura e decisões
     
    Na minha operação (lá vem jabá kkkk) eu proibi o uso de garatéias! Agora, só usaremos anzóis. Algumas turmas que vendi antes dessa regra, poderão usar garatéias, mas todos compraram alguns anzóis voluntariamente e vão testar, em respeito aos nossos princípios. Muita gratidão por isto!
     
    Nas minhas pescarias, as garatéias também foram abolidas.
     
    Espero ter ajudado. Eu também gosto de discutir os assuntos técnicos e mantenho este tópico aberto a contribuições. Um forte abraço a todos e aproveitem.
     
     
    IMG_5747.HEIC
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    Murilo Nogueira deu reputação a Fabrício Biguá em Bassboat - rodada a mais de 160Km/h...   
    ...não foi com a gente......ainda não tenho braço nem motor para chegar nesta velocidade ainda. ☺️
    Vídeo editado:
     
    Mas o fato aconteceu com o nosso amigo Walter Andreis e com o @Elias Neto. O vídeo do barranco foi feito pelo Juninho. O cara quase morreu do coração quando viu o barco rodar e jogar aquela água toda para o alto. No dia estávamos acompanhando os testes e puts, passamos vários minutos tensos até descobrirmos que todos estavam bem. O Juninho fez um pescador regional parar o que estava fazendo para leva-lo de rabetinha até o barco acidentado. 
    Fato que o barco estava a 102mph, ou 164Km/h quando a traseira do barco saiu da água (blowout). 🤪 
    O piloto vai subindo o trim, subindo o trim, até que a hélice "sai" da água, perde pressão, e o casco "cai" na superfície da água.
    Quando isso acontece, a quilha do barco toca na água (antes estava totalmente fora) e "sem" força para empurrar pra frente e "tirar" novamente a quilha da água, o piloto vira passageiro e o barco roda.
    Isso é mais comum de acontecer do que vcs imaginam...Já perdi a traseira do barco algumas vezes, em velocidade menor, claro...mas a pior q ocorreu conosco foi no torneio de Corumbá IV no ano passado. O meu irmão perdeu a traseira do barco a mais de 80mph na largada do torneio. Rodamos e, por competência dele, conseguimos voltar sem q o barco desplainasse e não fomos jogados na água. Imagine o sufoco de "curvarmos" a mais de 100Km/h e voltamos na contra mão dos barcos q estavam acelerando tudo!?!?!? hehehee...
    Voltando ao blowout do amigo...Todos dois foram jogados na água e, por sorte, nada de grave ocorreu com eles. Apenas alguns hematomas e a cueca melada...rsrs...brincadeira, o prejuízo maior ficou só no material mesmo.
    Vídeo completo: 
     
    A ideia do Walter em ter divulgado o vídeo foi o de demonstrar como é perigoso navegar naquela velocidade.
    Fato é q o barco estava balançando um pouquinho (o q é "normal")...mas o ponto crucial foi ele ter tirado os olhos do horizonte para olhar a velocidade no celular q estava na mão do amigo ao lado, quando perdeu a concentração no que estava fazendo e merd@ aconteceu.
    Tudo o que era móvel foi arrancado com a força da porrada. Das tampas das caixarias, até o capô do motor foi pro fundo. A lateral tomou um porrada tão grande que parte foi perdida tb, assim como um dos cockpits... ....Mas o barco continuou seco e boiando como deveria, e por sorte dos amigos.  
    Como eu conheço este mercado de bassboats, o q não vai faltar é especulação de q isso aconteceu pq o casco é isso, é aquilo e blá-blá-blá-blá....mas quem entende de bassboat um pouquinho, sabe q isso pode acontecer COM TODOS OS MODELOS, seja do Brasil ou do mundo. Basta digitar BLOWOUT aí no Youtube para ver vários casos ocorridos.
    Como disse acima, já dei blowout em velocidades muito, mas muito menores do q esta...rsrs..então, não caia na lábia de vendedor que só pensa em comissão e nunca passou de 80mph....
    O tópico está aberto...e vamos trocando ideia aqui pra baixo...
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    Murilo Nogueira recebeu reputação de Marcos Ide em Nível das águas do Rio Negro Temporada 18-19   
    Bom dia turma, estava semana passada em barcelos, pescaria muito difícil, todos afluentes bombando de água,
    mas o rio negro estava secando, acertamos alguns peixes no negrão mesmo. 
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