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Aline Patricia

Carrapato de Peixe, sabe o que é?

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A mais ou menos um mês atrás estivemos em um local para pescarmos e após os primeiros peixes percebemos algo diferente.

Os peixes estavam com parasitas, alguns chamam de Carrapato ou Piolho de peixe. Comunicamos aos proprietários, pois algo deveria ser feito urgente.

Das várias especies do tanque, apenas uma não estava com o parasita, o Dourado, mas o restante não era um ou outro carrapato, eram dezenas, Pacu e Tilápia percebemos que eram os mais afetados.

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Após uma semana retornamos ao local. A princípio jogaram sal na água, uma grande quantidade, pra tentar amenizar a situação, mas não proporcionou o resultado esperado.

Tentamos ajudar de alguma maneira, pesquisamos sobre a doença, orientamos que o ideal era ter a ajuda de um especialista no assunto, seja um Engenheiro Agrônomo, Biólogo e até mesmo um veterinário.

Pois o controle da doença é um pouco complicado.

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Neste mesmo dia percebemos que a situação estava se agravando, as Tilápias estavam machucadas, com furos na cabeça, não era uma ou outra, várias estavam assim, de dar pena.

Depois de alguns dias retornamos novamente e o tratamento começou a ser feito, não encontramos mais nenhuma Tilápia machuca, apenas os Tambacus, Pacus estavam bem afetados ainda, mas já se recuperando. Nesse caso o tratamento foi colocado na ração, mas além disso tem que ser feito o tratamento da água.

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Os proprietários desconfiam que seja uma remessa vinda de um outro pesqueiro, pois no lago maior nunca tinham tido problemas, após fazer a transferência dos peixes que haviam comprado e estavam em um lago menor o problema começou.

Vale lembrar que independente de ser peixe de pesqueiro ou não, tem que haver respeito por eles. Muitos não gostam deste tipo de pescaria, e quando vão não se preocupam com os peixes, o que já ouvi muito é que eles estão lá pra morrer. Em muitos lugares assim como neste pesqueiro ha lagos exclusivos para pesca esportiva, onde não se pode levar o peixe, é mais do justo que sejam bem tratados, pois a renda do local também depende deles.

Esperamos que tudo se resolva da melhor maneira e sem sofrimento.

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Quer saber um pouco mais sobre essa doença?

Veja o Texto produzido pelo pesquisador científico Sérgio Henrique Canello Schalch, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios - APTA - Pólo Regional do Noroeste Paulista - UPD Votuporanga, um órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Crustáceos da subfamília Branchiura, como Argulus sp e Dolops sp podem ser encontrados parasitando a superfície corporal, nadadeiras e brânquias de várias espécies de peixes silvestres e cultivados, sendo popularmente conhecidos como “piolho ou carrapato de peixe”. Existem cerca de 200 espécies de branquiúros, das quais 120 pertencem ao gênero Argulus, medindo cerca de cinco a22 mm (EIRAS, 1994).

O crustáceo Dolops sp tem baixa especificidade parasitária, ciclo de vida direto, depositando seus ovos em substratos onde desenvolve os jovens crustáceos, entre 10 a 50 dias, com características semelhantes aos adultos, sobrevivendo fora do hospedeiro durante vários dias (NOGA 1996). No Brasil sua multiplicação ocorre entre os meses de abril e setembro, dependendo das condições ambientais (KABATA, 1988). Existe relato que este parasito desenvolve-se durante todo o ano em diferentes temperaturas da água. Seu crescimento está relacionado ao excesso de matéria orgânica nos viveiros.

Nos hospedeiros, os parasitos localizam-se na superfície corporal, nadadeiras e brânquias. Alimentam-se fazendo com que seu aparelho bucal dotado de estrutura semelhante a probóscide, penetre profundamente nas superfícies corporais de onde suga os fluidos que necessita. A penetração do aparelho bucal causa dano mecânico ao hospedeiro e a injeção de enzimas tóxicas causa inflamação local e irritação do peixe. No caso do Dolops sp a agressão é violenta, visto que seu aparelho de fixação é dotado de ganchos. A esse trauma soma-se o fato de que mudam constantemente de lugar, amplificando os danos ao hospedeiro. Tomados por tal agressão os peixes passam a nadar de modo violento e errático, tendem a raspar-se nas paredes do tanque ou outros objetos na tentativa de livrarem-se do incômodo.

Os sítios de agressão pelos parasitos apresentam hemorragias puntiformes, excesso de produção de muco e hiperpigmentação da pele em algumas espécies de peixes. As brânquias parasitadas apresentam hiperplasia e hipertrofia do epitélio de revestimento e de células mucosas. Focos necróticos nos locais agredidos também são observados. Além disso esses parasitos atuam como vetores de bacterioses e viroses de importância em piscicultura. Argulus sp podem causar lesões oculares devido à fixação no globo ocular, provocando lesões superficiais que são agravadas por infecções secundárias. (SHIMURA et al., 1983). Para o tratamento de enfermidades provocadas por estes crustáceos utilizam-se organofosforados, que entretanto são muito tóxicos e já há evidências de resistência (POST, 1987; NOGA, 1996). Este perigoso parasito está espalhado por todo estado de São Paulo principalmente em pesque-pagues que recebem diversas espécies de peixes de diferentes regiões sem tomar o devido cuidado sanitário. É de suma importância a tomada de medidas profiláticas que evitem a introdução destes parasitos e outros nas criações.

O diflubenzuron, que apresenta baixa toxicidade para vertebrados, tem sido utilizado com sucesso em programas terapêuticos de controle de crustáceos em peixes. Diflubenzuron (1-(4-clorofenil)-3-(2-6-diflurobenzoil) uréia) é um potente regulador de crescimento de artrópodes, pois interfere na síntese de quitina na fase de muda, sendo eficaz no controle de estágios imaturos de insetos (EISLER, 1992). Todavia na literatura que foi possível compilar não se encontrou observações sobre o uso de diflubenzuron como anti-parasitário em peixes.

Resultados satisfatórios foram observados por (SCHALCH, et al 2004) com o uso do diflubenzuron adicionado à ração para jovens pacus (Piaractus mesopotamicus) infectados por Dolops carvalhoi. Foi verificado que após três dias de alimentação com a ração os parasitos morreram com melhora nas condições gerais de saúde dos peixes provavelmente pela eliminação do fator agressor.

No entanto deve-se ter em mente que este tratamento preferencialmente deve ser realizado apenas em quarentenários para evitar maiores agressões ao meio ambiente. Deve-se também respeitar o tempo de carência em peixes que sirvam para o consumo.

A portaria número 48, de 12/05/1997, da Secretaria da Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, determina que para o registro de anti-parasitários para bovinos sua eficácia não pode ser inferior a 90%. Entretanto não há até o momento legislação para o uso de tais produtos em peixes ou outros organismos aquáticos ou qualquer referência sobre eventuais prejuízos causados ao meio ambiente pelo uso de tais drogas. Assim sendo, embora considerada uma droga relativamente atóxica, seu uso deve ser parcimonioso e fora do ambiente de criação, preferencialmente em ambientes especiais, evitando-se a entrada tanto da droga quanto dos parasitos no ambiente da criação.

Fonte: http://www.aptaregional.sp.gov.br

Abraços

Aline Patricia ::fish2 ::fish2 ::fish2

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Uma vez fui pescar dourado no paranazão...depois de fisgar alguns pequenos, paramos para almoçar. Então fui passar mais protetor e para minha surpresa, tinha um carrapato desses que parecem uma arráia minúscula, na minha testa. Tive que tiver com a unha. Isso já faz tempo e não tive nenhum problema de saúde após o ocorrido. Mas será que esses "carrapatos" transmitem alguma doença, como fazem os carrapatos de mamíferos?

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