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A POLÊMICA E CONTROVERSA PESCA DE SANTA CATARINA


 


                Pergunte a qualquer pescador em Santa Catarina como está a pescaria, a resposta será um termo entre ruim e péssimo. Com algumas variantes entre já esteve melhor e pode melhorar.


 


             Lastimável, é como se define a pesca em Santa Catarina. Um estado que demonstra tamanho altruísmo em diversos setores e assuntos, uma população com invejável desenvolvimento social, econômico e intelectual, mas que se mantém na contramão das praticas e ideias de sustentabilidade e preservação do meio ambiente, principalmente no que tange a pesca, amadora, artesanal e industrial.


   


             Não precisa andar muito para se ver em diversas cidades do estado mangues, o berçário de grande parte da vida marinha, cedendo espaço para o progresso e ganancia da maldita herança açoriana. Vide Avenida Beira Mar Norte e rodovia SC 401 em Florianopolis, a instalação de uma mega marina ou ainda as praças e pavimentações da beira rio em Itajaí, as construções ostensivas de Balneário Camboriú, enfim sem berçário onde a vida marinha poderá se renovar?


       


           Percebi há algum tempo que muito além de hobby, a pesca é uma ciência. Inexata e muitas vezes empírica, sem qualquer postulado quando tratamos do pescador, o anzol e o peixe. Mas inequivocamente exata quando se trata exclusivamente do peixe, uma vez que, não se respeitando medidas, cotas e temporadas de reprodução, tem-se uma sensível e gradativa queda das populações de peixes, tamanhos dos exemplares, variedades de espécies e consequentemente, a diminuição da atividade da pesca, em qualquer modalidade, da amadora a profissional. Por isso, dentre outras razões, a importância de fortalecer órgãos de regulamentação e fiscalização já existentes no intuito de conscientizar a pesca e o pescador.


           


            Em Santa Catarina, baseando-se na cultura e atitude dos pescadores, focada basicamente na quantidade de peixes pescado, quanto mais, melhor. Incapazes de devolver para água os peixes fora de medida e tampouco respeitam os períodos de reprodução. Aliás, é notável a agressividade até mesmo das tradições no estado. Os catarinenses são ávidos por uma espécie de peixe, a tainha, que é pescada aos milhares no inverno. Esta espécie de peixe não é natural da costa catarinense, e justamente ocorre neste período do ano devido ao seu processo migratório de reprodução. O que instiga ainda mais sua pesca, pois a tainha que é mais valorizada ao paladar dos “barriga verde” é justamente a tainha ovada. Com essa fome, a tragédia é presumível. Não existe qualquer tipo de consciência por parte dos pescadores e/ou consumidores.  Eles acreditam veementemente que os peixes, principalmente oceânicos, são inesgotáveis. E sem nenhum tipo de educação, fiscalização e punição seguem com seu processo de esgotamento dos recursos pesqueiros pela costa catarinense.


             


             Cena comum por aqui é o pescador e sua tarrafa. Em tempo, corrigindo essa conotação bucólica gerada pelo singular, pescadores e suas tarrafas e redes. Estão em qualquer barra de rio, ponta pedra, trapiches, em cima de pontes, em embarcações e o que é pior, também em manguezais lançando incansavelmente suas tarrafas e estendendo suas redes de pesca e fazendo, o nada seletivo arrasto. Ainda que artesanal, essa pesca merecia um olhar mais apurado dos órgãos regulamentadores e de fiscalização. As tarrafas e redes, mesmo que feitas a mão, geralmente não dão chance ao peixe em qualquer tamanho, de qualquer espécie e em qualquer época. Regulamentar e restringir o uso de tarrafas e redes seria uma saída racional, todavia o mais adequado atualmente seria uma atitude radical como banir o seu uso.


             


              Há hoje muitos países pelo mundo e não distante, alguns estados brasileiros já têm a pesca esportiva como considerável item de sua planilha financeira. Como o caso, do Black Bass no norte dos EUA,  dos Dourados na Agentina, da grande diversidade de peixes no Panamá, na Costa Rica, dos Robalos no norte e nordeste do Brasil, do Pantanal mato-grossense, da Amazônia, dos Tucunarés da serra da Mesa, de Três Marias, do Lago do Peixe e inúmeros outros lugares e espécies. Claro que isso veio de empenho, disciplina, conscientização e colaboração entre governo e população para o desenvolvimento do turismo de pesca esportiva atraindo para o setor uma expressiva experiência na preservação e respeito ao meio ambiente além de alta lucratividade não só no setor de turismo como em toda economia. Já que existe para essas operações há uma demanda de passagens aéreas e/ou terrestres, translado terrestre, restaurantes e rede de hotéis, alugueis de barcos e motores, contratação de guias de pesca experientes, rede de lojas e profissionais de fornecimento e manutenção de itens específicos de pesca, casas e bares de lazer, etc.


               


              O que dizer da pesca esportiva em Santa Catarina? Dizer que ela praticamente inexiste, pois qualquer peixe que entre nos anzóis e garateias dos ditos pescadores esportivos de Santa Catarina serão soltos sim, soltos no óleo quente de suas frigideiras. E medida de peixe nesta hora se torna até uma piadinha para eles, que quando interrogados se aquele peixe, fora da medida, não estaria pequeno para o abate, prontamente respondem: se fosse maior não caberia inteiro em sua frigideira. E se é você quem solta o peixe perto deles, logo lhe nomeiam idiota. Justificam seus atos ostentando o seu alto investimento feito no equipamento de pesca. E dessa forma, grandes matrizes, responsáveis pela manutenção populacional daquela determinada espécie considerada esportiva além de uma promissora fonte turística para o estado terminam por virar janta na casa do desleal pescador esportivo catarinense. Pode se dizer que não fosse pela região do rio Palmital, Baia da Babitonga, especialmente Garuva, arrisco afirmar que o turismo de pesca no estado seria nulo.


 


               Frente ao alimento nutritivo e saboroso que é o peixe, não há que se envergonhar em matar um ou outro para se alimentar ou mesmo tomar aquela cerva querida. O que não dá é para fazer essa matança desenfreada que acontece em Santa Catarina. Há quem defenderá os que dependem da pesca para comer. E são estes, tanto os que dependem da pesca para comer quanto os que defendem esta bandeira, que devem ser os primeiro a se conscientizar e difundir ideias e atitudes sustentáveis. Preservar hoje para ter amanhã. Pescador que não deve não teme, pequenas atitudes como pesque e solte podem sim fazer a diferença. Somente permanece o que muda e a mudança começa por você.


 


Grande abraço e boas fisgadas a todos.

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Excelente texto !

 

É seu mesmo Flaviano ? Parabéns

Certamente o Pedro terá uma outra orientação preservacionista !  ::tudo::

 

Preservar hoje para ter amanhã. Pescador que não deve não teme, pequenas atitudes como pesque e solte podem sim fazer a diferença. Somente permanece o que muda e a mudança começa por você.

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Excelente texto !

 

É seu mesmo Flaviano ? Parabéns

Certamente o Pedro terá uma outra orientação preservacionista !  ::tudo::

É meu sim Kid M, tentei ser o mais imparcial possivel, mas soou quase como um desabafo. 

Muito obrigado pelo cuidado com a leitura. 

Pedro certamente será ainda melhor que o pai.

Grande abraço companheiro. Mais uma vez muito obrigado.

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Caro Flaviano

 

Belo texto voce publicou. Tua frase final -"Somente permanece o que muda e a mudança começa por você" - sintetiza tudo e esta

muito bem colocada.

 

Voce fala das atrocidades cometidas na região litorania do estado, e eu como moro no oeste percebo que as  mesmas atrocidade com o meio ambiente tambem fazem parte do dia a dia na minha região.

 

Como voces devem saber o oeste do estado de Santa Catarina é banhado pricipalmente pelo Rio Uruguai e a questão de 20 anos comecaram a

contruir barragens para hidreleticas ( A de Itá, Machadinho etc etc e outra dezena de barragens e outros rios menores ). Essas barragens trazem um impacto ambiental severo, por ex. minha cidade, Concordia, nos meses de inverno fica abaixo de nebilina as vezes durante todo o dia. Mas o pior é com relacao a vida marinha, esta sim tremendamente prejudicada pois não tem uma baragem sequer que permita a subida do peixe para desova na epoca da piracema. Na nossa região o  grande astro dos rios é o dourado, peixe que sobe o rio para desova e na forma como estao os rios represados hoje a fauna marinha pode estar em vias de extincão nesta regiao. Por outro lado não vemos nenhuma acão quer seja da parte do governo ou de outras entidades com o fim de diminuir o impacto ambiental.

 

Triste Brasil este nosso

 

Abc

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Caro Flaviano

 

Belo texto voce publicou. Tua frase final -"Somente permanece o que muda e a mudança começa por você" - sintetiza tudo e esta

muito bem colocada.

 

Voce fala das atrocidades cometidas na região litorania do estado, e eu como moro no oeste percebo que as  mesmas atrocidade com o meio ambiente tambem fazem parte do dia a dia na minha região.

 

Como voces devem saber o oeste do estado de Santa Catarina é banhado pricipalmente pelo Rio Uruguai e a questão de 20 anos comecaram a

contruir barragens para hidreleticas ( A de Itá, Machadinho etc etc e outra dezena de barragens e outros rios menores ). Essas barragens trazem um impacto ambiental severo, por ex. minha cidade, Concordia, nos meses de inverno fica abaixo de nebilina as vezes durante todo o dia. Mas o pior é com relacao a vida marinha, esta sim tremendamente prejudicada pois não tem uma baragem sequer que permita a subida do peixe para desova na epoca da piracema. Na nossa região o  grande astro dos rios é o dourado, peixe que sobe o rio para desova e na forma como estao os rios represados hoje a fauna marinha pode estar em vias de extincão nesta regiao. Por outro lado não vemos nenhuma acão quer seja da parte do governo ou de outras entidades com o fim de diminuir o impacto ambiental.

 

Triste Brasil este nosso

 

Abc

Muito obrigado companheiro e meu conterrâneo de estado, muito obrigado mesmo pela leitura.

Vale lembrar que os mesmos dourados no mesmo rio uruguai são protegidos por lei na Argentina e sua pesca esportiva racionalmente explorada é extremamente disputada por turistas.

Dourado, só pela sua magestade, não merecia morrer pelas mãos de pescadores. Pra mim quem mata um peixe desse quilate não podia nem ir pro céu. 

Nós temos muito a evoluir, e a aprender não só com o Messi, pelo visto.

Parceiro em setembro estou querendo pelear com uns dourados por ai, tem alguma dica ou conselho? 

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Todo ano vou em laguna passar férias e pescar... cada ano tem menos peixe; e sempre centenas de tarrafeiros, que se não levam o peixe, eles o matam, nem dignidade tem para devolver ao mar o que não "presta";

jogam nas pedras... e soltar peixes eh crime...

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Flaviano

 

A muito tempo não tenho pescado Dourado, mas amigos meus falam que abaixo da usina do Itá tem bons locais de pesca

do dourado.

 

Lamento não poder te dar informacões mais precisas.

 

Entretanto qualquer coisa estou a disposicão,

 

Abc

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Todo ano vou em laguna passar férias e pescar... cada ano tem menos peixe; e sempre centenas de tarrafeiros, que se não levam o peixe, eles o matam, nem dignidade tem para devolver ao mar o que não "presta";

jogam nas pedras... e soltar peixes eh crime...

Pois é Andre você ainda vê nas temporadas somente, pensa eu que pesco quase todo fim de semana. 

É desconcertante a visão, e reiterando o que disse, peixes cada vez menores e mais escassos.

Muito obrigado pela leitura companheiro.

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Flaviano

 

A muito tempo não tenho pescado Dourado, mas amigos meus falam que abaixo da usina do Itá tem bons locais de pesca

do dourado.

 

Lamento não poder te dar informacões mais precisas.

 

Entretanto qualquer coisa estou a disposicão,

 

Abc

Mais uma vez muito obrigado, a gente se fala. Oportunamente voltarei a lhe incomodar.

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Essa situação que o Flaviano nos traz, não é muito diferente do estado vizinho, o Rio Grande do Sul.

 

Temos aqui duas bacias, a do rio Jacuí que deságua no Guaíba, e a do Ibicuí que deságua no rio Uruguai.

 

No Jacuí tinha Dourado antigamente, pra mim soa até como uma lenda, pois hoje foi praticamente extinto, eu nunca vi, e nem pesco mais lá porque a pescaria não é nada produtiva, e a variedade de peixes bem pequena.

 

Nas minhas pescarias, já cansei de ver redes, de uma lado a outro do rio, que é basicamente o que 99% dos pescadores utiliza aqui, sem falar nos tais espinhéis.

Aqui não há conscientização muito menos fiscalização. Já presenciei até um absurdo, represarem um rio para "vender" água para as lavouras vizinhas.  ::nada::

Pescaria esportiva é vista como algo de outro mundo, aqui o "normal" é pescar do jeito antigo.

 

O futuro, se continuar assim, é ver os peixes sumirem dos rios aos poucos.

 

Depois vão querer correr atrás do prejuízo, mas será tarde.

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Essa situação que o Flaviano nos traz, não é muito diferente do estado vizinho, o Rio Grande do Sul.

 

Temos aqui duas bacias, a do rio Jacuí que deságua no Guaíba, e a do Ibicuí que deságua no rio Uruguai.

 

No Jacuí tinha Dourado antigamente, pra mim soa até como uma lenda, pois hoje foi praticamente extinto, eu nunca vi, e nem pesco mais lá porque a pescaria não é nada produtiva, e a variedade de peixes bem pequena.

 

Nas minhas pescarias, já cansei de ver redes, de uma lado a outro do rio, que é basicamente o que 99% dos pescadores utiliza aqui, sem falar nos tais espinhéis.

Aqui não há conscientização muito menos fiscalização. Já presenciei até um absurdo, represarem um rio para "vender" água para as lavouras vizinhas.  ::nada::

Pescaria esportiva é vista como algo de outro mundo, aqui o "normal" é pescar do jeito antigo.

 

O futuro, se continuar assim, é ver os peixes sumirem dos rios aos poucos.

 

Depois vão querer correr atrás do prejuízo, mas será tarde.

As malditas e desgraçadas redes  Conada , muito triste.

Muito obrigado ai pela leitura Bruno. abraços e faca na rede companheiro

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Meu grande amigo Flaviano, vou te dando as dicas de como proceder nas pescarias e vc me ensina a escrever, kkkkkk!!! Resumindo esse catarina vizinhos nossos uma turma de "Morto de Fome", andam de carrão pagam de a na beira mar e matam tudo que veem pela frente, seja nadando, voando, caminhando e etc. essa de Estado desenvolvido é balela, status puro!! Desenvolvido é onde tem emprego, industrias e agronegócio, etc.

Lá na antiga "Ilha de lost dos robalos" só o "Minerim" aqui soltou peixes lá, mais de meia centena de robalos,  e depois vc e o Reinas, mais ninguém sotou nada lá, alias só soltavam lixo e aumentaram a desorganização no local,  por isso que fechou. Quem viu robalo explodir no poper e nas zaras viu, quem não viu não vai ver mais, agora fica só na lembrança.

 

Abraços e vão bora pesca!!

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