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Kid M

Retorno ao Nhamundá ( com fotos ) - 2005

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Remexendo uns arquivos, encontrei esse material, que infelizmentenão mais existe na Intrépida, pois foi postado numa versão que foi "derrubada" e "não recuperada" ! Nem me lembrava de ter salvo esse material, de modo que terminou se tornando oportuno voltar a postá-lo aqui, com algumas adaptações, principalmente com a inclusão de algumas fotos que - na época - não foram inseridas nesse conjunto ! Dessa forma, fica como se fosse uma "remontagem" dessa aventura ! Alguns de vocês já a viram antes, mas espero que apreciem as adpatações feitas... apesar do tamanho... Vamos lá ! :D

RELATO À INTRÉPIDA ? SET 2005 ( copiado do site ? Relatos da Pescarias )

Desta feita éramos 10 ! Todos já se conheciam e tinham pescado juntos antes ! Uma enorme expectativa de retornar a um local mais que promissor, belíssimo quanto a paisagem, e com grande potencial de peixe pelo seu difícil acesso... Já estivéramos lá antes, mas o nível das águas na foz do rio ( Namundá ) privou-nos de entrar com o barco hotel e conhecer seus segredos ribeirinhos... Desta feita seria diferente ! Programação sendo preparada com uma antecedência de nove meses... uma verdadeira gestação ! Contatos e detalhes minuciosamente repassados e preparados para minimizar as condições de risco de insucesso ! Esquematização de muitas coisas, que possibilitariam um processo de usofruto local da melhor qualidade...

Beliscos ( queijos, salaminhos, tiragostos variados ), bebidinhas ( pinga de MG - uma de safra especial ), além de muita iskol e refri gelados ( sempre ) ! Uma carne para assar não foi esquecida, principalmente por ser uma picanha tratada... carne de sol ( verdadeira ) e até mesmo um lombinho de porco caseiro não foi esquecido, além de uma grande quantidade de temperos, pimenta, papel laminado, azeite doce ( extra virgem ) e por ai vai... É claro que já saímos negociando o excesso de peso nos aeroportos...

O Grupo formado por meus outros dois irmãos - Mandi e Animal ( além de mim - Kid ), fundadores que fomos dos Mocorongos, tinha também os já veteranos Compadre ( meu, no caso... ) e seu filho Marcelo Pig ( de onde veio a carninha de porco ), também de Capacete ( todos os três fazendeiros do interior do Estado da Ba ). Também já integrante há alguns anos, e morador de Salvador, o companheiro Boto, exímio fazedor de moquecas, e Barriga, um empresário "doido de pedra" que entrou no Grupo há dois anos... ( grande pescador de praia em Sergipe ! ). Finalizando, dois paulistas são paulinos, que mais do que pescadores, se tornaram nossos amigos, e não abrem mão de nossas pescarias. São apelidados de Jurupoca e Jurupensém, até por conta de serem a dupla "Ju & Jú" ! Grande Grupo, com potencial para arrebentar !

O encontro de praticamente todos em Guarulhos/SP, onde fizemos conexão...

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Como forma de minimizar o tempo de viagem embarcado, esquematizamos um atalho ( na ida ) até Parintins, de onde embracaríamos no Aventureira ( barco hotel ) rumo ao rio Nhamundá ! Para isso, tornou-se necessário dormir em Manaus, pois o vôo regional sai às 07:15 h, e não tem como fazer qualquer conexão... ( o esquema de chegar de madrugada e esperar no aeroporto não dá mais... ). Preparando com antecedência, dá para fazer um bom esquema, minimizando o cansaço, sem crescer muito os custos ! Por exemplo, ao procurar um hotel em Manaus, já informar que se trata de "Grupo de Pesca", que o desconto logo aparece ! Se calhar de ser num final de semana então, a economia surpreende ! Ficamos num 5 estrelas ( Taj Mahal ) por R$ 60 por cabeça com direito a um ótimo café da manhã ! A mesma coisa no que se refere aos traslados ! Tratados com antecedência, a coisa sai bem mais em conta ! Lembrar que em grupo ( com tubo e tralhas ), não se consegue "taxi" e sim vários "táxis", assim, porque não providenciar logo uma VAN ou Micro-ônibus ? O preço sai bem mais em conta, sem falar no conforto e conveniência para todos...

Viajamos todos de Varig ( sempre nos programas de milhagem, marcados com antecedência de - pelo menos - 6 meses ) e o primeiro desprazer foi constatar a ausência de um dos volumes embarcados em SP ! Mais do que prejuízo, a chateação de não contar com as coisas daquela sacola é sempre desagradável... mas não era "a das iscas e das carretilhas" ( menos mal... ) ! Aliás, o serviço da Varig está se tornando cada vez pior ! Até quando ??? :evil:

Com o esquema de procurar por um responsável para "correr atrás da bagagem extraviada", o tempo se passou, e o almoço ( que não foi servido a bordo - a despeito do horário... ) ficou para trás... O jeito foi ir para o hotel, tomar um banho, dar uma descansada e sair mais cedo para uma passadinha no shopping ( reposição de coisas extraviadas na bagagem e últimas compras... todo ano é a mesma coisa... ). Mais uma vez, o uso de uma Toppic foi fundamental... No shopping, "descobrimos" uma "loxinha" ( Sucuri ) que é show ! Só material de 1ª, entre ele camisas e calças ballyhoo, multifilamentos de todos os tipos, iscas ( sempre as top ), acessórios ( só lançamentos ), e até mesmo material para fly... Varas Falcon, Daiwa, etc... só material de ponta ! Fiquei surpreso com o sortimento encontrado... principalmente nos detalhes ( garatéias Owner 4X - com e sem farpas... ). Difícil se conter... e teve gente que "não aguentou"... e gemeu ( custos equivalentes a RJ e SP ) ! Quem for por lá, recomendo a visita ! Show de bola !

Com gente já desmaiando ( de fome ), fomos atrás do restaurante indicado ( e bem recomendado ), chamado de Touro Louco ! Não o conhecíamos, mas a hora era essa, pois servia vários tipos de comida ! A única desvantagem é sua localização, relativamente distante do centro de Manaus ( mas justificou - com folga - a viagem de 20 minutos até lá ! ). Trata-se de uma grande construção, aberta, sem ar condicionado, mas que é constantemente aerada por um ótimo sistema de grandes ventiladores... Como fica próximo ao rio Negro, nem deu para sentir calor... Com relação as comidas, um fato interessante ! Trata-se de um sistema de rodízio, onde quem se desloca são as pessoas... ou seja, o custo é fixo ( R$ 42,00 por cabeça - fora disso apenas as bebidas ! ) e existem várias ilhas com comidas sendo preparadas dos seguintes tipos ; Churrasco - peixe ( 3 tipos - pirarucu, tucunaré, tambaqui ), boi ( picanha, fraldinha, etc... ), porco ( costela, pernil, lombo, etc... ), frango, etc... Saladas - Acabei contando 32 pratos variados de alternativas... Bufê quente - 15 pratos, com receitas regionais ( pirarucu a 4 queijos ), e outras tentações mais comuns para os tradicionalistas... Bancada de sushi / shashimi - pense em qualquer coisa, que tem ! Italiana - Massas ( todas ) feitas na hora, com mais molhos que poderia pensar... ( um escândalo ! ) / Pizza / Risotos ( preparados na hora ) Pães / Queijos - Um verdadeiro martírio... ( contei 17 tipos de queijo... ) Para finalizar, uma área com costela de boi no braseiro de chão e um carneiro no rolete... Para quem gosta, 12 tonéis de pinga sortidos... Já ia esquecendo da bancada das sobremesas ( não frequento, mas que teve muita gente suspirando dentro do grupo ), e a do café, que muito mais do que um expresso, os caras tem um cardápio de alternativas... :shock:

E tudo isso com uma música ao vivo bem afinada... Antes que me esqueça, SERVIÇO de 1ª ! Próximo ao encontrado em SP ! Mais ou menos uns 300/400 lugares cobertos ! Pelo preço... Chegamos todos empanturrados para dormir, afinal o café da manhã estava programado para as 05:00 h... ( o micro ônibus para as 05:30 h ) e o ar condicionado estava convidativo...

Noite inquieta ( e quando é que não são em vésperas de por a linha na água ? ) e um estridente trinado telefônico avisando já ser hora de acordar, mas como, se ainda me lembrava de estar indo para a cama... Banho sempre ajuda ! Água fria é um santo remédio contra a preguiça ! Já com a roupa separada e vestido rapidamente, era hora de ver se as coisas estavam ajeitadas ! Encontro o Compadrea pitar seu cigarrinho da alvorada ! A mesa do café ainda estava sendo colocada, e o Grupo já ia chegando ( de forma ordenada ) e acertando as respectivas contas antes do café ser servido... ( e um ótimo, variado e sortido café matinal ! ). O micro-ônibus encostou ( 10 minutos antes do horário combinado - bom sinal ! ) e demos as primeiras risadas do dia ( ou da madrugada ) ao tomar conhecimento dos "comportamentos" após tanta comida ingerida... ( teve gente querendo saber como vomitar... a "gula" é sempre problema ! ). Contas pagas, café tomado, grupo embarcado, contagem dos 10, e vamo que vamo...

No caminho para o embarque para Parintins, quando a ansiedade e expectativa eram grandes... ( medo de "avião pequeno" também... ) :wink:

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Ruas vazias, a brisa matinal enganando os incautos do braseiro que se transformará o dia, e a "viagem" ( 20 minutos ) até o aeroporto já era um indicador que todos estavam mais que preparados para enfrentar a próxima etapa até Parintins pela Cia Regional TOTAL, que se mostrou excelente sobre quase todos os aspectos ( não teve jeito e tivemos que pagar excesso... ).

Olha a chegada no "Eduardinho" com parte das tralhas... :oops:

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Muita conversa, interferência de outras pessoas, e após o abono de nem sei mais quantos quilos, uma "gemida" de R$ 70 a ser rateada... ( faz parte ) ! Também com destino a Parintins parte um vôo da concorrente Rico, mas num Bandeirantes e não no "nosso" ATR-32 ( para 48 passageiros ). Fomos os próximos a embarcar, e a excitação e alegria já eram mais que visíveis em todos do Grupo... parece sempre um grupo de colegiais saindo de férias... ( será que é tão diferente disso ? ) Vôo de uma hora absolutamente tranquilo, e mais até, onde pescador se encontra, a conversa rola, e somente no vôo, tive que conversar com uns dois da região que não se contiveram... ( mas devia ter mais gente enrustida... entre os outros passageiros ! ).

Uma rápida visão pela janela e parecia estarmos chegando as lagoas do "Pantanal"...

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Pousamos com tranquilidade em Parintins, e o "bafo do calor" nos acordava para a realidade amazônica ! Ainda 08:00 h da matina, e o sol já castigava ! O aeroporto em Parintins é mais que ajeitado, e rapidamente as bagagens chegaram, sendo providencialmente transportadas para uma Pick Up preparada para o traslado !

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Fomos distribuídos pelos taxis disponibilizados pela Pescamazon ! Todos Fiat Siena ! Já apurei que foram viabilizados por um financiamento do estado ( AM ) a custos altamente subsidiados para atender o esquema turístico da cidade... que é fortíssimo ! Aliás, é um local onde tem Coca cola de rótulo vermelho ( tradicional ) e azul ( especial ), para atender a mania local dos bois Garantido ( vermelho ) e Caprichoso ( azul ) que disputam anualmente - num grande festival folclórico - o título de campeão, em desfiles semelhantes aos das grandes escolas de samba do carnaval !

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Impossível não ter ouvido falar no Festival de Parintins ( tem até Bumbódromo com capacidade para MILHARES de expectadores... ). Surpresa mesmo tive ao verificar que a cidade tem mais de 100 mil habitantes fixos, chegando aos 300 mil na época do festival ( que já é uma coisa antiga, regional, e que somente agora passa ser conhecido do grande público... ). A rede hoteleira por lá ( por conta disso ) é bastante razoável ! Não esquecer também que a cidade, pela localização que tem, serve como centro de distribuição das demais cidades ribeirinhas da região, não apenas de alimentação, mas também de serviços, dentre eles o transporte fluvial, que é absolutamente inacreditável, pelo porte que assume ! Digo isso, pelo fato de termos ido direto ao embarque do nosso "barco hotel", o Aventureira ! Diferente de outros mais tradicionais, ou mesmo regionais, a grande característica dessa embarcação é seu baixo calado, que após carregado, não supera um metro, o que nos é de fundamental importância para navegar águas de pouca profundidade, e que estejam secando... Nosso "guia" e amigo Nélson Lage, um parense apaixonado pela pesca esportiva, que se dedica profisisonalmente ao assunto, é um estudioso do tema, buscando sempre alternativas de superação dos obstáculos da região, onde a mão de obra sem especialização é um dos principais desafios - SEMPRE ! Desta feita não foi diferente... Mas a hora era de sairmos daquele burburinho que mais parecia uma "torre de babel", tamanha diversidade de ações feitas conjuntamente num mesmo lugar ! Caminhões descarregando, alimentos sendo transportados, entra e sai de gente, barcos regionais com destinos fixados para os interessados, tal qual ônibus nas rodoviárias, todo tipo de gente, e mistura de raças, unificados por um elo comum de altura, que nos fazia pensar sermos desproporcionais aos seres presentes... principalmente Jurupoca e Jurupensém com seus quase dois metros de altura e cor alva dos verdadeiros paulistanos...

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O Aventureira estava carregado e pronto para partir ! Esquema estilo "safari na África", com caixotes de frutas e verduras no convés, botes suspensos, local para colocação dos tubos ( sempre ocupando muito espaço... ), mas com o "serviço de bordo" funcionando e uma geladinha sendo servida ( e ainda nem eram nove horas... viiixxiiiii.... !)

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Olha como é que estava o "Porto" em Parintins...

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Aos poucos fomos nos afastando, e deixando o porto de Parintins para trás... Começa - de fato - a aventura ! :P

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As acomodações internas eram bastante modestas, mas o ar condicioinado funcionava bem, embora o regulador estivesse quebrado, e o frio no máximo... ( teve noite que meu termômetro marcou mínima de 17º ! ). Apenas dois banheiros ( e apertados, principalmente para os que são vitaminados ), mas uma boa sala conjugada com a área de refeições ( também refrigerada ) nos permitira momentos de menor calor... A cozinha todavia era ínfima, mas o cozinheiro ( Melo ) um "mágico" ( descobrimos que ele era do interior da Bahia, e com isso, o cara se desdobrou ainda mais... gente boa ! ). Em contrapartida, a embarcação oferecia um bom espaço superior para convívio noturno, em tono de uma mesa redonda e um freezer onde poderíamos acessar as "geladas"... A área de controle de navegação da embarcação era espaçosa, e a mesma tinha uma excelente aparelhagem de sonar e radar, além de aparelhos de comunicação ( por rádio ) e telefone ( globalstar ), que sempre é uma segurança a mais ! Além disso, Nélson possuia cartas de navegação de toda a região, além das pesquisas no Google Earth, onde tem assinatura... ( ele tem formação superior em informática, o que simplifica um pouco a questão... ). Mas chega desses detalhes técnicos, e vamos adiante !

O acesso ao Nhamundá, que seria vencido diretamente numa linha reta cruzando um braço do rio Amazonas, pelo baixo calado do Aventureira, deixou de ser possível pelo nível das águas... Encontramos um estágio de nível das águas que normalmente acontece apenas a partir de Novembro ( final do mês ). Com isso, tivemos que fazer um enorme trajeto através de um "paraná" ( um braço de rio ) para ter acesso ao local desejado ! O que era para ser feito em poucas horas ( 4 ou 5 h ) passou para 8 h ( no mínimo ), e com isso, nossas expectativas de "molhar as iscas" ficaram mais distantes, mas sempre havia o recurso de sair nos botes e encontrar o barco adiante... :x

Próximos da cidade/município de Terra Santa, com as águas baixas, o canal ficou estreito, e por um lapso do piloto, saimos do curso desejado, e rapidamente encontramos um banco de areia ! Coisa simples de resolver, não tivesse entrado areia na área de refrigeração de um dos motores ( que teve de ser momentaneamente desligado ), e com isso, o outro, não conseguiu dar ré, pois como estávamos ( naquele momento ) a favor da correnteza, a pressão da água ia contra o sentido desejado, agravando - ainda mais - o encalhe ! Quando o segundo motor também se aqueceu e tivemos que desligá-lo, passei a ter certeza que pescaria só no dia seguinte... :cry:

Resumindo, tivemos que aguardar a chegada de um outro barco para nos ajudar a voltar para o canal e seguir viagem... E isso gerou quase duas horas de atraso... Para não ficar só nisso, um dos impacientes do Grupo, resolveu na hora em que estávamos parados, "treinar uns arremessos" com as iscas recem adquiridas, e não é que o cara conseguiu prender uma das garatéias na própria cabeça ? Tivemos que mandar um bote a cidade que para nossa sorte ficava bem em frente, onde ele tirou a garateia e nos encontrou mais acima, feliz da vida por não ter estragado a isca... ( felizmente a contusão foi superficial, mas ele teve que tomar alguns pontos no local... a isca era uma KV - Dr Spoock Jr ).

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Só chegamos ao nosso destino à noite, como era de se prever ! Material preparado, tudo no ponto, mas somente no dia seguinte é que iríamos descer os botes e ir atrás dos bichos... O jeito foi continuar tomando +1 e botar o sono em dia... Uma pequena amostra do que era o sol, mesmo "se pondo"... :shock:

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Demorou para amanhecer !

Pudera, com tanta gente acordada no Aventureira... Café tomado, gente comendo ovo com pão, sucos diversos, o Compadre no seu 2º cigarrinho do dia ! Barriga inconformado com o "roncar" da turma... como se ele próprio não "grunisse"... Os piloteiros estavam freneticamente ajustando os botes ( porque essas ações não acontecem de véspera, até por conta da ansiedade permente de qualquer cliente no 1º dia de pesca efetiva... ), e nós, impacientemente os olhando, como regulássemos todos os movimentos dos ponteiros do "pseudo atraso" na saída programada e a tanto tempo esperada ! Finalmente os primeiros raios de sol ! Dourados, cortando a brisa suave da bela manhã que se antecipava ! Inicialmente numa bola vermelha, protegido de nosso olhar embasbacado por tamanha beleza, e rapidamente empertigando-se no horizonte, como se autorizando o início da revoada dos incontáveis casais de papagaios, em busca de locais de alimentação...

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Passavam sobre nossas cabeças sempre em duplas, num frenético bater de asas para lhes compensar o corpo avantajado e nada aerodinâmico ! Como se não bastasse, impossível passarem em silêncio, e aos gritos sobrepostos uns aos outros, cortavam a bela manhã refletidos no espelho dágua do enorme lago onde estávamos estacionados ! Vez por outra, apareciam também alguns casais de araras, ainda mais lentas, e com um bater de asas diferenciado, singrando uma altitude mais elevada, propícia ao seu encantamento ! E as nuvens, onde haviam se escondido durante a noite ? Pareciam estar banidas daquele céu de anil ! Somente chegariam durante o dia, após concluído o encantamento do amanhecer ! Os motores Yamaha de 15 Hps começaram a dar sinais de vida, e com eles os sinais de taquicardia evidentes em todos nós !

Uma "corrida" para o embarque, como se alguém fosse ficar de fora, e uma última conferência das tralhas ( possivelmente a 10ª já realizada naquela manhã... ). Como seriam os piloteiros ? Saberiam seus "deveres de casa" ? Não gostei de não ver instalados os motores elétricos, que já tinham sido vistos a bordo, e a explicação de que os piloteiros preferiam trabalhar "com o remo", me deram a noção exata do que esperar deles... Mas nessas horas, não há mais nada a fazer, que encarar da forma como se apresenta... e tendo como companheiro de manhã o Compadre, fomos a luta...

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Importante contudo esclarecer, que exatamente por conta do buscar um melhor equilíbrio e menor desgaste entre os integrantes do Grupo, fazemos previamente uma escala de rodízio entre todos, inclusive ( e principalmente ) os piloteiros/botes, distribuindo a eventual sorte ( ou azar ) a um menor tempo de cada um... além de exercitar a alegria de uma rotatividade entre todos, sempre saudável e interessante ! Depois de implementada essa prática, os "eventuais problemas" ( dessa natureza ) praticamente desapareceram... Recomendo...

A despeito da preocupação com a "seca" que se anunciava, as etruturas encontradas estavam com os níveis d'água na altura ideal ! Rapidamente pusemos as iscas de superfície para fazer seus trabalhos, e não demorou muito para a Dr Spock ( cor de osso ) iniciar seu sinistro trabalho de acumular "vítimas"... Foi um tucuna de mais de um quilo e meio, que parecia ter uns três, tal alvoroço provocado dentro d'água ! Em poucos minutos, estava embarcado ! Era o primeiro dos muitos "paquinhas" que foram devolvidos naquele dia ! Na amazônia, os tucunas perderam qualquer respeito pelo tamanho das iscas apresentadas ! Sequer ligam para o tamanho das garatéias ! Abocanhando tudo que lhes passa pela frente, dão verdadeiros shows de malabarismo, ao sentirem a ponta afiada dos anzóis ( garatéias )visitando suas "mandíbulas" agigantadas nos botes dados sobre as iscas...

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A manhã começara relativamente bem, pois no normal, os primeiros dias de pesca são os menos produtivos, até por conta das iscas mais adequadas ( cores e tamanhos ) não terem sido ainda bem identificadas ! Junto com os tucunas, apareceram as primeiras saicangas ( saradas ! ), que com seus dentes pontiagudos, danificavam ( um pouco ) as iscas mais antigas, das "de madeira"... mas isso faz parte do jogo ! Com o esquentar do sol, os peixes se tornavam um pouco mais ativos, e com isso, as opções de isca também começaram a variar, com destaque mais evidente para as Aile magnete e The First da Maria no caso das de meia água, enquanto que as zaras da KV, reinavam absolutas, tanto nas versões Dr Spock ( Normal e Junior ), quanto nas João Pepino ! A preferência nas de meia água, eram as de lombo rosa, enquanto que as de superfície, eram as osso, ou brancas de cabeça vermelha... Mas o peixe estava dando trabalho para ser achado ! Muitos pinchos até para ajustar a mão, ainda "desacostumada" da relação força x dsitancia a ser aplicada nas varas para uma melhor precisão ! Mesmo assim entraram alguns exemplares mais valentes, de até 3 1/2 quilos no nosso bote ! Meu irmão ( soube depois ) embarcara um com uns quatro quilos !

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Na região, a predominãncia é dos "pacas" ! Alguns açús aparecem, quase sempre mais generosos no peso e na beleza ! Peguei uns amarelinhos que pareciam coisas pintadas com critério e sentido estético apurado, tal sua combinação em tons de amarelo ouro e dourado...! Um colírio para qualquer vista ! Com a chegada do calor do meio dia ( que lá chega ás 11:00 h, pois o horário segue o fuso de Manaus... ), era hora também de retornar ao Aventureira para renovar as forças e saber como foram as demais duplas... Na chegada a certeza de que tudo ia bem, pois as conversas no "avarandado" do Aventureira eram percebidas a distância ! Como não eram discussões, tava óbvio que as ansiedades estavam distantes... Dito e feito, e as conversas rolaram... cores de iscas, batidas, ações espetaculares, primeiras quebras de linha, "macacos", risadas, brincadeiras, "me passa uma iskol gelada", e por ai a coisa ia, e envolveu o almoço todo, com apresentação de situações e/ou capturas incríveis, principalmente para quem as narrava... Marcamos para retornar "a luta" ás 15:00 h, mas muito antes disso, já tinha gente se mexendo... ( inegavelmente trata-se de um Grupo de fominhas, como convém a qualquer pescador "de respeito" ). Feitas as mudanças de duplas e as anotações estatísticas do que foi embarcado, já era hora de ir atrás dos brutos novamente, e desta feita, não demos sorte ! Acompanhado por Capacete, que, como eu, já havia estado no local em 2001, resolvemos esticar o passeio de bote, e seguir até uns locais que conhecíamos e que haviam nos propiciado muitas alegrias...

Demorou mais que o imaginado, mas lá chegamos ! Os lagos se apresentavam com estruturas mais convidativas que antes, mas surpreendentemente, os peixes estavam absolutamente sem qualquer atividade ! Consultando o barômetro que levava comigo, não consegui entender, pois a pressão não se mostrava em queda, mesmo estando baixa ! Em compensação, o calor estava infernal !! Batemos incessantemente todos os locais que víamos, mas absolutamente NADA ! Nem um rebojo sequer ! Coisa frustrante... Terminamos por encontrar "seo Agostinho", caboclo ribeirinho, conhecido do piloteiro ( e nosso também de 2001 ) ! Na chegada, com aqueles dois dentes pendurados na boca, a clássica pergunta se não tínhamos uma "latinha" para lhe oferecer... falar sobre esse diálogo daria para encher mais de uma página, e esse não é o melhor momento ! Quem sabe num outro tópico, não lhes revelo o que dele ouvi e aprendi ! ? Já estava na hora de retornar ao Aventureira, até por conta do tempo de navegação que teríamos pela frente ! Mesmo assim, íamos dando umas paradas nas bocas de lago, e graças a isso, não chegamos "de dedo..." ! Nada expressivo, mas o suficiente para sair do zero... e ouvir o cantar do molinete Daiwa Regal Z ! O sol já avisava que iria se por, quando avistamos o barco hotel ! Próximo dele, passamos por outro bote, com o Compadre e alguém que não me lembro no momento - acho que o paulista Jurupoca ! Eles estavam indo experimentar um "couro', mas estacionaram o bote em local visível do Aventureira ! Enfim, cada um com sua mania... ainda era muito cedo para deixar de tentar os tucunas e ir atrás dos de couro... Ficamos naquilo mesmo, até que escureceu, e fomos atrás de um tira gosto... Nem bem havíamos saltado do bote, quando me apareceu um outro bote, aquele que há pouco tempo havíamos passado, com o Compadre e Jurupoca, com uma enorme pirarara dentro ! Estavam tazendo o peixe para fotografar antes de soltá-lo ( as máquinas fotográficas de ambos haviam ficado junto das tralhas direcionadas as iscas artificiais... ). Não havia balança para tanto peso ! As balancinhas que tínhamos, chegavam - no máximo - a 20 quilos, e aquele monstro teria ( seguramente ) mais de 40 quilos !

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Sou fã dos seus relatos Kid. Parabéns. Vai ter continuação??Onde posso ler outros? Além, deste vi mais 2, sobre a comunidade ribeirinha e sobre Barcelos 2006 (as 6 partes).Abraço.

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Fotografado, o piloterio tido como mais experiente, fulminou ( num olhar ) a marca dos 45 quilos ! Nem mais nem menos, e este ficou sendo seu peso, até porque precisava voltar para a água o quanto antes... não demorou muito, e o bichão nadou de volta para a liberdade, ficando a espera de um outro pescador no futuro, para que possa gerar as mesmas alegrias que nos foram emprestadas naqueles momentos... Um show de peixe !

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Assim esse primeiro dia de pesca, se saiu melhor que a encomenda, pois capturamos mais de oitenta peixes, quando o histórico deste dia, dificilmente supera as trinta/quarenta unidades... e ainda por cima, com um troféu difícil de ser batido... Mas a pescaria estava só começando... Olha outros peixes embarcados e soltos...

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O cenário matinal se repete sempre...

Gente apressada, café tomado às pressas, parecendo até que se trata de um primeiro dia de quem nunca pescou... fico me perguntando ( sempre ) se haverá o dia em que iremos agir como pessoas normais, e sempre arranjo uma "justificativa" para "desculpar" essa ansiedade... cheguei a conclusão de que isso só irá parar, quando a vontade de viver terminar, pois para quem pesca, a expectativa de novos troféus, novas experiências, é o alimento que impulsiona o prazer de estar em lugares como esse, afastados da civilização, em condições precárias de conforto, mas nem por isso menos estimulante ! Que se levante no escuro, se embrenhe no mato e se busque a adrenalina revigorante no cantar dos molinetes ! Isso sim, é que é o "sangue da vida" para qualquer pescador que se preze como tal... Mas vamos naquilo que o amigo Virgílio ( Intrépida ) já descreveu como uma "Saga na Amazônia"...

Minha saída neste segundo dia seria com a "ala paulista", ou seja, com meus amigos Jurupoca ( pela manhã ) e Jurupensém ( pela tarde ) ! Pescaria "agendada" há tempos e com uma enorme expectativa de sucesso ! Ambos usam carretilha, enquanto permanço fiel aos meus molinetes Daiwa Regal Z ( experientes e habituados aos brutos da Amazônia ). Não pescamos - como pode parecer - de forma competitiva ( quando nos botes ), mas temos alguns critérios para premiação no final da pescaria que são sempre observados... Assim, o esquema de pesca do dia normalmente acontece com um dos pescadores usando uma isca de superfície ( geralmente uma zara ), enquanto que o outro faz a varredura posterior com uma isca de meia água ( e aí, as opções são infinitas... ). As manhãs ( conforme verificado posteriormente ) vinham apresentando melhor desempenho, mas sempre a custa de muito esforço laboral ( "pernóstico", parece até coisa de advogado - que não sou... ), com muito suor escorrendo pela testa, e muitos pinchos ! As características encontradas no dia anterior se repetiram, pois apesar das belas estruturas de lago, o peixe não correspondia aquelas expectativas iniciais... Pontas de enseada com troncos e tocos, milimetricamente ajustados para a moradia desses bocudos, se mostraram "insuficientes" para nossa busca e troca de iscas apresentadas ! Na verdade, por algum motivo não descoberto, os peixes não estavam atacando, ou quando muito, o faziam de forma defensiva, ou seja, rebojando atrás das iscas, sem contudo acertá-las... como se defendessem um território... ( isso já por conta do nosso imaginário ! ). Não foram poucas as iscas / cores tentadas, mas a relação dos benefícios ficou a dever mais uma vez ! Também os tamanhos das iscas foram se alterando, bem como a forma de trabalhá-las, ora mais rápidas, ora de forma bem lenta, sem conseguirmos encontrar o "elo do sucesso", ou seja, aquela que passaria a ser "a matadeira" ! De registro mesmo, nesta manhã, apenas uma batida expressiva, de um tucuna de seus 3 quilos, paca, que ensandeceu-se pelo rattlin da Dr Spock ( osso ) e não quis nem saber de acordo, partindo para a pauleira ! A "má intenção" dele já foi verificada no bote, quando conseguiu "encharutar" a isca, que é uma tarefa apenas para os "famintos", pelo tamanho e formato da cópia feita pela KV ! A linha PowerPro de 30 lbs não era páreo para a "criança", mas nem por isso ela deixou de tirar linha do Daiwa Regal Z 2500 que estava usando... Evitar que "puísse" a linha nos tocos foi uma tarefa complicada, pois o bicho estava vitaminado, e pelo visto, "incomodado" com as furadas das duas garatéias... resistiu muito para se entregar, mas o fez de forma definitiva, pranchando ao lado do barco... retirar os anzóis foi tarefa difícil, mas queríamos restituir-lhe a liberdade, e assim, paramos de pescar para fazer uma "quase cirurgia" naquela boca selvagem... Algumas dicas úteis a quem se propõe fazer algo semelhante ; colocar o peixe de cabeça para baixo, muitas vezes faz com que ele pare de se debater... a utilização de alicates de "bico longo", sempre ajuda, principalmente para evitar machucar as guelras... a imobilização deve ser eficiente e rápida, até como condicionante a recuperação da "vítima" posteriormente... e principalmente, ter muita calma antes de soltá-lo definitivamente dentro dágua, pois pelo seu instinto, ele tentará se livrar ( ainda fraco ), o que lhe poderá ser fatal em local de outros oportunistas, a começar pelas piranhas... Isso relatado, cabe agora esclarecer, que a despeito de todos esse cuidados, o objetivo não foi alcançado, e o "bruto" virou shashimi... ( desculpe pela decepção, mas não teve jeito mesmo... pois no momento final, uma das garatéias, já liberadas, pegou nas guelras, e o bicho sangrou demais, o que no caso, naquelas águas, é um "atestado de óbito" ).

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Visivelmente contrariado com uma manhã tão mal remunerada de peixes, mas nem por isso perdida de outras emoções, retornamos ao Aventureira, com uma "lua" de lascar ! Já encontramos outras duplas presentes, e pelas descrições feitas, melhoramos o nosso estado de espírito ao verificar que "não era algo pessoal", pois as características se repetiam com todos... o que mais perturbava no entanto, é que as estruturas dos locais eram absolutamente perfeitas e víamos muita comida disponível nas margens, mas atividade ( que era o desejado ) muito reduzida ! Destaque contudo para as piranhas pretas ! Pegamos exemplares bem grandes, que pareciam pacus / tambaquis ! As iscas de meia água, quando puxadas de forma mais lenta, proporcionavam os ataques ( e ninguém estava atrás delas, até porque dizemos que "piranha não é peixe", mas confesso-lhes que as pretas eram incrivelmente vigorosas ! ). A maior embarcada ( não por mim ) pesou quase 4 quilos e estraçalhou uma isca Bomber A grande ( já com as garatéias trocadas/turbinadas ).

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Depois do almoço, e algumas brincadeiras entre os integrantes ( e quando é que não tem... ), e um breve descanso, já estávamos incomodando ( de novo... ) os piloteiros ! Estes, na verdade, podem ser considerados como de "boa índole", mas muito distantes daquilo que gostaríamos de ter como condutores dos botes... A melhor de um deles foi nos perguntar numa dessas saídas para onde gostaríamos de ir, como se conhecessemos o local melhor que eles próprios... ( teve gente zangada... ainda mais sem motores elétricos... ) A tarde foi um pouco pior que a manhã, mas também produziu seus resultados... O primeiro peixe acima dos cinco quilos apareceu, pego na meia água ( Maria - The First - lombo rosa - 11,5 cm ), o que já serviu para animar ! Nessa altura, já estávamos nos concentrando nas bocas dos lagos, e nas pequenas enseadas nos entornos do rio, próximos a correnteza, principalmente em locais onde a vegetação "se debruçava" sobre a água... Os lançamentos precisavam ser bem mais precisos, pois a chance era na hora da batida na água, e isso no local da "fronteira", pois a correnteza do rio já se encarregava de tirar a isca do alcance dos "bocudos" ! Os braços já estavam mais preparados, até porque o "treino até então havia sido exaustivo", mas não há como evitar a presença dos "macacos" em alguns lançamentos de risco ( faz parte do negócio ! ). Dessa forma, conseguimos alguns peixes mais "configurados" ( na faixa dos 3 quilos ), o que é sempre uma festa, principalmente com a correnteza lutando contra... deu para animar um pouco...

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No entardecer, o negócio seria o couro, principalmente após o belo resultado do Compadre ! Não teve jeito, e lá pelas 17:30 hs, encontramo-nos todos ( os 5 botes ) no Aventureira, para "trocar" de tralhas... Felizmente o dia havia sido bom com relação às traíras, e tínhamos portanto bastante isca a usar, até porque as piranhas pretas estavam sempre presentes... Acompanhando pela sonda do Aventureira, Nelson havia encontrado no meio de tanta rasura ( a profundidade média do rio estava sendo de 4 e 5 metros ), dois locais próximos ( 50 m de distancia um do outro ) com 10 e 12 m de profundidade, e "estacionou" o Aventureira antes deles ( a menos de 50 m ), até para nos propiciar melhor conforto... ( tá bom ou quer mais... ! ) Os botes fizeram um "pit stop", pegaram as tralhas ( já previamente preparadas ) e seguiram para o local, fazendo na curva do rio uma verdadeira peneira... onde pudemos ( confortavelmente ) lançar as iscas... Na verdade, uma das duplas prefiriu ficar a bordo, de modo que eramos apenas 4 botes ( 8 pescadores ) naquele local !

O entardecer ( já sem sol ) estava um espetáculo ! O céu meio nublado, com nuvens esparças, meio avermelhadas pelos restos do poente, davam um colorido todo especial, enquanto que o calor do dia cedia vez a uma brisa fresca com cheiro de mato... Nesse devaneio em que me encontrava, quando foi anunciado que um dos nossos, Jurupoca estava com peixe, e que seria necessário soltar o bote... e lá se iniciava a perseguição do troféu ! Com um de meus irmãos a bordo ( Mandi - o mais barulhento deles ), tínhamos um "passo a passo" do que estava acontecendo... claro que no meio das discussões de como tratar a situação... ( que festa ! ). Nesse mesmo momento, meu outro irmão grita que estava - tb - com peixe, e que não sabia ainda se iria ( ou não ) soltar o bote ! Acabou soltando... mas retorno a ele depois, pois também na minha linha, havia presença de "alguém"...

Não teve essa conversa de "mamadinha" não, e a cabeça da traíra ( meia traíra na verdade ), foi sendo vigorosamente puxada, sem qualquer pudor ! Até para evitar dúvidas, abri o molinete ( um Daiwa Regal Z 5000 com linha multi de 60 lbs e empate 10/0 ), e deixei que fossem levados uns bons 5 metros antes de acabar com aquele "abuso", e mandei ver ! Uma ferrada seca, acompanhada por uma confirmação na sequência imediata, para não ter risco de erro, e a espera da reação ! Nem precisou esperar, pois o freio ( bem ajustado ) não deu conta do recado, e a cantada do molinete foi intermitente ! Mesmo com a vara escorada, e com o freio previamente ajustado, não havia como parar aquela corrida ! Quando ele próprio deu a primeira "diminuída", chegou a hora de recuperar parte da linha tirada, e foi ai, na terceira puxada, sentindo que "na outra ponta" tinha "alguém de respeito", é que a linha ficou bamba, indicando que aquele peixe somente seria visto novamente em sonhos...

Recolhi a linha, intrigado com o peso existente, sem entender o que havia acontecido, pois se tivesse havido quebra, como é que ficara o chumbo ( uso chumbo solto... ) ? Não demorou para ver que a parte que falhara naquele momento fora a luva do empate, que não aguentando a pressão, abrira, liberando o peixe ! O peso não soltou por encontrar o distorcedor firmemente atado na ponta da linha... fazer o que ! Felizmenteme nessa altura, Jurupoca já havia embarcada sua Pirarara ( uns 20 quilos - o bogagrip dele não aguentou... )

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Meu outro irmão ( Animal ) estava as voltas com o peixe dele, que já se tinha revelado ser outra pirarara, só que contrariamente as expectativas iniciais, uma verdadeira monstra ! Ele teve a sorte de no outro lado de onde estávamos ( o rio tinha uns 60 m de largura nesse ponto ), haver uma praia de áreia, o que possibilitou trabalhar o peixe de forma mais firme, e trazê-lo cautelosamente até a beirada ! O piloteiro, que tinha sido o mesmo do que saíra com o Compadre, disse logo se tratar de outro exemplar do mesmo porte ! E asism, também este foi "carimbado" com "em torno dos 45 quilos" ! Finalmente o bruto se entregava ! Era de fato uma beleza de peixe, que depois de fotografado, foi devolvido a sua morada... :wink:

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Tudo isso aconteceu antes das 19:00 hs ! Parece incrível, mas tivemos três ações reais, todas de peixes grandes, num espaço de 45 minutos ! Se o estado de espírito pelos tucunas não estava lá essas coisas, as ações "no couro" foram "felomenais" e só com isso, já havia motivo de comemoração... Para mim, ficou a sensação de "quero mais", e o pensamento de qual teria sido o tamanho daquele oponente, que sequer tomou conhecimento do freio do meu equipamento... mas lhes confesso que em momento algum ficou a sensação de tristeza, mas apenas a de curiosidade ! Tristeza aparece, quando algo ruim acontece, mas quantos de nós poderão ter uma sensação maravilhosa como essa de "esbarrar" com um peixe desse porte numa pescaria sem compromisso ( como a nossa ) junto ao barco hotel ? Melhor mesmo que ele tenha escapado ( ou terei sido eu que escapei de uma briga descomunal... ? ), até para ajustar a autoconfiança de que temos, sempre em achar que temos que levar a vantagem em tudo... Reconhecer a superioridade de um peixe desses, é algo para ficar gravado para sempre, até porque ainda ei de ter netos para contar-lhes da música do freio do molinete sendo arrastado por essa fera... ( será que estou errado ? ? ! ) :P

Hoje era o dia ! Finalmente iríamos conhecer o Lago do Inferno !

Por quatro anos, estudamos uma forma de voltar a região por conta da "mística" em torno desse lago, já que as referências ao mesmo sempre eram as melhores possíveis, seja na literatura ( internet ), seja pelos depoimentos dos pescadores ribeirinhos com quem estivemos em 2001 ! Todos falavam em fartura de grandes peixes, e estruturas de pesca sensacionais ! Era hora de conferir tudo isso ! O Aventureira parou de navegar cedo, por conta de bancos de areia existentes a frente, e o "prático" preferiu não confiar no sonar / radar de bordo, e passar durante o dia... ( essas coisas existem, para quem pensa que são mitos ! ). Com isso, teríamos um bom trecho de navegação com os botes... mas quem liga para isso, diante da possibilidade de realização de um sonho ? O amanhecer desta feita foi diferente, com muita névoa sobre o rio, o que nos indicava que o sol viria para rachar com tudo... ( e não estávamos enganados... ). Mas "trabalho" é "trabalho", e fomos a luta ! Pela escala, era dia de sair com o Boto, e logo para o destino esperado ! Era dia de cansar o braço de embarcar os brutos...!

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Com os motores abertos, seguimos em fila indiana, rio acima ! Teríamos uns 45 minutos de viagem até o lago ( quanto não vale o GPS nesses momentos... ! Pescamos com ele o tempo todo ! ). As estruturas dentro do rio foram se modificando, e até mesmo apareceram barrancos, alguns deles com pedrais, excepcionais para algumas tentativas, mas estas ficariam forçosamente para nosso retorno, pois a rota definida agora era ir direto para o Lago do Inferno ! Parecia ter virado uma obsessão coletiva ( e era mesmo... ). A mata em torno da região era ciliar, com belíssimas árvores que sombreavam o rio, filtrando os raios do sol que paulatinamente ia vencendo os resquícios da umidade contida na névoa matinal !

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O local era preservado, pois há muito tempo não víamos qualquer sinal de ribeirinhos, madeireiros, e "correlatos", que interagem com as margens, quer contruindo casebres, quer abrindo picadas atrás de madeiras de lei ! Soubemos por Nélson, que a fiscalização do Ibama tem sido intensa na região, mas contra a extração de madeira... pesca ( para eles ) é tratado como um "subproduto"... De repente, o "barco líder" ( a sensação era a de éramos um "grupo de comandos"... só faltavam as roupas camufladas... ), parou numa pequena enseada, e sumiu mato adentro... Quando nos aproximamos é que vimos se tratar de uma pequena passagem ( entenda-se como pequena algo em que é preciso se abaixar dentro do bote para poder passar ), alcunhada logo como "Garganta do Diabo", que nos daria acesso ao Lago do Inferno !

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Andamos por uns 10 minutos NO REMO, pois era um tal de desviar dos troncos caídos, que parecía estarmos desbravando a região... ( já tinha feito algo parecido antes na região do Alto Amazonas, e é uma sensação incrível de impotência diante da mata, pois contrariamente ao rio, que você vê de frente, no caso voce se encontra dentro de tudo aquilo... UM SHOW ! ). A diversidade de pequenos peixes é estonteante ! Cardumes de matrinxãs, com seus rabinhos pretos, outras espécies, com rabos vermelhos ( são pequenos mesmo, e servem apenas para a cadeia alimentar ), pequenos, médios, magros, gordos, bicudinhas, tucuninhas já com as primeiras listas nos lados, enfim, um gigantesco berçário, com MILHARES de formas de vida em todos os cantos ! Absolutamente indescritível ! Quando havia oportunidade de um raio de sol furar toda aquela densidade de folhas, e adentrar na água, víamos que apesar de escuras, as águas eram cristalinas, e os reflexos nos peixes nadando eram pequenos diamantes vivos ! Um espetáculo da mãe natureza !

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Mas chegamos ao lago, que na verdade são 3, um dando dentro do outro... O primeiro deles é "ao cumprido", e não muito largo, mas o suficiente para acomodar um bote em cada margem ! O silêncio era total, sendo pertubado apenas pelos rattlin's das iscas de superfície e o barulho das zaras e poppers batendo nas beiradas dos taludes e pequenos nichos onde se visualizavam bocadas incomensuráveis... ficaram todas elas apenas na nossa imaginação, pois não tivemos uma só batida, nem um rebojo, nem mesmo uma água mexendo... o impossível estava acontecendo... Passamos - mais que depressa - para o segundo lago, este, com acesso mais generoso, e inspirador de mais "ambições", pois além do tudo já descrito anteriormente, apresentava encostas elevadas e ravinas íngrimes, possibilitando - quem sabe - o diferencial desejado ! As varas já estavam sendo freneticamente manejadas, e a "dúvida" já começava a se apresentar em alguns dos rostos mais calejados de outros insucessos... Finalmente um primeiro peixe ! Uma trairinha pouco maior que a isca ! O próprio Nélson estava atônito ! O que acontecera por ali ? Por onde andava o peixe ? E o pior, é que o silêncio estava "esmagador" ! Como se repeitando a nossa frustração, nem barulho de pássaros ou da mata conseguíamos perceber ! Uma lástima total ! Mas ainda havia o último lago a ser percorrido... ( será que teve gente que imaginou que os peixes estariam todos concentrados nesse local ? Garanto que sim, pois pelo impacto sentido, qualquer explicação dada seria aceita, principalmente se acendesse uma perspectiva remota de solução... ) Adentramos o Lago do Inferno ! Uma estrutura absolutamente fantástica ! Daqueles lagos pequenos o suficiente para - com o olhar - correr por todo seu perímetro - mas com um visual desconcertante... Pense em algo que esteja próximo do ideal ( como estrutura de tucunaré ), e lá você a encontrará ! Grandes árvores dentro dágua, beiradas sólidas de modo a evitar que o peixe fugisse para a mata, profundidade junto às margens ( em locais me dei o trabalho de mergulhar todos os 6' da vara - 1,83 m ) e não encostar no fundo... Uma verdadeira obra prima ! Só pecava pelo nome... mas talvez quem colocou seu nome, deve ter tido a mesma sensação de impotência e frustração de não poder ususfruir daquele local da forma como poderia e deveria ser !

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A exemplo dos lagos anteriores, sem qualquer movimentação ! O horário ainda ajudava, e mesmo com o calor que fazia ( e era cedo ), deveríamos encontrar peixe "se bulindo" ( mexendo para quem não entendeu o "jargão" ! ). Que decepção ! Apenas para não ser totalmente zerado, Jurupoca conseguiu uma batida ( e embarque ) de um exemplar de mais de 4 quilos, logo na chegada deste lago, quando chegamos a nos alvoroçar atrás de "novas esperanças", mas ficou nisso mesmo...

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Para mim e para o Boto, já era hora de voltar, e foi isso o que fizemos, já de olho nos pedrais deixados para trás no caminho de ida ! O que antes era um "Grupo", passou a ser um "amontoado" na base de cada qual por si, e rapidamente, cada bote tomou seu rumo, sem o cuidado de combinar um local básico de encontro... mas sabíamos onde havia ficado o Aventureira ( pelo menos era o que achávamos... ). Nos locais vistos pela manhã, até que descolamos alguns peixinhos, mas na meia água, tirando proveito da profundidade existente nas laterais de pedra... O maior que conseguimos embarcar foi na faixa dos quase 4 quilos, que em sendo um paca, é sempre sinônimo de trabalho ! Mas o desânimo era evidente, afinal tanto esperávamos daquele local para nada... era uma manhã para ser esquecida ! Quando deu perto das 11:00 h, o calor impedia-nos até de pescar ! Já não lembrávamos mais quando ocorrera a última batida, e todo o esforço que fazíamos, servia unicamente para debilitar - ainda mais - os já castigados braços por tantos arremessos feitos... Voltamos para o barco, e onde ele deveria estar, nem rastro... Era hora de procurar pelo barco, ou melhor, voltar à Nélson e saber dele se alguma contra-ordem fora dada ! E tome rio acima, refazendo ( de novo ) o caminho... Encontramo-o na região dos pedrais, onde - assim como nós - o sucesso era "duvidoso" ( o correto mesmo era dizer que fora uma merda, mas fica mais elegante dizer "duvidoso"... ), e indagado a respeito do Aventureira, ele se mostrou surpreso, e disse-nos que voltássemos a procurar pelo Aventureira rio abaixo, pois ele iria chamar um outro bote que estava mais em cima, e nos encontraria a seguir, pois para cima, o barco hotel não havia passado... ( até porque isso não fora o combinado, e sim que ficasse nos esperando num determinado local - onde o piloteiro tinha nos levado... ). Ladeira abaixo, tudo de novo... ( e o calor ? ? Brincadeira !!! )

Depois de mais de uma hora de motor, o óbvio se configurou, ou seja, o Aventureira não havia descido ! Já havíamos alcançado o ponto onde dormíramos na véspera, e daí para baixo, não haveria tempo hábil para o barco ter chegado... com a lua que estava fazendo, o melhor a fazer era encostar e esperar pelos outros... e foi exatamente isso que fizemos... Não demorou muito e um "novo barulho" de motor, e apareceram Capacete e Barriga, aliviados de terem nos encontrado, pois já estavam quase sem combustível de tanto rodar atrás do barco... ( mistério ! ).

Ficamos numa sombra por um bom tempo, até para passar o calor, e de repente, começamos a ouvir um barulho de bicho na margem ! Não onde estávamos, mas um pouco acima, num local onde não éramos vistos, pois estávamos encobertos... O barulho foi crescendo, até resolvermos investigar do que se tratava ! Era um grande grupo de queixadas ( ou catetos - porcos do mato silvestres ) atravessando o rio ! Completamente indefesos, já que na água não poderiam oferecer qualquer resitência... E eram mais de 60 ! Quando nos viram, "esparramaram" e com isso fizemos um cerco para evitar que se distanciassem muito uns dos outros ! Um espetáculo verdadeiro ! Absorto estava até ouvir um barulho diferente, e acreditem, tinha gente querendo levar exemplares para o jantar, e com o remo, tentavam bater na cabeça dos menores... Não deu para impedir o "esporro" que dei ! Me considero até uma pessoa equilibrada, mas diante de um ato desses, não tive como me segurar ! Mas pelo que pude perceber, trata-se de uma prática regular na região, e segundo dizem, um prato especial, muito melhor que o próprio porco...

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Prefiro vê-los vivos a passarem por uma provação dessas... Eles se reagruparam na margem, e mesmo exaustos ( isso era perceptível de longe ), seguiram seu caminho, embrenhando-se novamente nas matas... Ficamos na espera da "onça", pois atrás de um grupo de catetos, sempre tem uma onça se alimentando... ( é um dos principais "pratos" do seu cardápio selvagem... ). Mas "o bicho" terminou não aparecendo... Já eram mais de 15:00 h, e a fome estava grande ! O que teria acontecido aos demais botes ? Soubemos depois, que também eles tiveram que encostar por problemas de gasolina... Resumo do "mistério" : o Aventureira não percebera o local marcado quando passou ( era um casebre desabitado ) no meio da névoa, e continuou subindo, rio acima ! Passou por onde estávamos, quando ainda estávamos "perdidos" dentro dos lagos, e com isso, estacionara num ponto onde nunca seria encontrado... ( se fosse no mar, já era ! No rio tem a vantagem de estar para cima ou para baixo... ). Perto das 16:00 h, o "saco" estourou, e resolvemos subir o rio pescando, e na primeira parada que fizemos ( uns 100 m de onde estávamos ), no encontro do rio com um braço que levava a um lago, topamos com alguns tucunas que melhoraram a nossa tarde ! Um dublê logo de saída, e de peixes acima dos 2 1/2 quilos, deu para animar ! Novos arremessos, e a estória se repete ! Ficou bom demais... Na terceira tentativa, uma porrada de responsa, e lá se vai minha Maria The First, de 14 cm, branca de cabeça vermelha ! Não deu nem para esboçar uma reação ! Batida seca, e linha de 30 lbs pro saco... Era hora de pegar no outro conjunto, com Power Pro de 40 lbs, e ir atrás da isca "roubada"... Estava com um isca Bomber A, com garatéias trocadas, e... nova ação, mas dessa feita, a ferrada funcionou, e o peixe tirou linha ! Finalmente a briga desejada ! Enquanto pensava, a linha afrouxava, e na chegada da isca, a verificação de duas garatéias abertas em quase 180º ( das 3 existentes ) ! Com certeza era um "mundo de peixe" ! Mas já estava melhorando... Meu parceiro Boto teve mais sorte e nesse mesmo tempo já embarcara 4 tucunas em sequência, sendo um deles com 4 1/2 quilos ! Mas assim como começou, eles sumiram... mas já tínhamos pego a "manha" ! O negócio era usar as iscas de meia água, que trabalhassem mais fundo, e nas beiradas de água corrente e águas paradas, pois era ali que eles estavam...

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Dessa forma, encontramos o Aventureira, que vinha finalmente chegando, com nossa contabilidade marcando um empate técnico de 8 tucunas cada ! Maravilha ao saber que o saldo geral do dia atingira apenas a marca das 31 unidades... Complicado... Já estávamos iniciando o caminho de volta...

Fomos parar naquele mesmo local onde havíamos pego as pirararas, até para ver se a "sorte" voltava... afinal o dia havia sido um desastre ! Resumindo, tive um enrosco ( sem peixe ), e Jurupoca trabalhou uma batida que acabou se escondendo no enrosco e partiu a linha, e foi só ! Com certeza, o jantar foi "sorumbático", e o dia, para ser esquecido... As risadas foram em intensidade bem menor nessa noite, e cedonão tinha mais ninguém acordado...

Para quem pensou que acabou... ledo engano ! Por pior que sejam os resultados de um dia, nada como uma boa noite de sono para "zerar" todos os "agouros" e renovar a expectativa de tropeçar num cardume dos brutos, afinal, eles moravam por ali, e nosso objetivo era encontrá-los !! Nada de desânimo, pois estávamos exatamente na metade da pescaria ! Ainda com muito pela frente... Era dia de sair com o Compadre, e ( pela tradição ) dia de surpresas... ( que pelo menos elas fossem das boas ! ). Não vou nem falar do calor, muito menos do vozerio matinal do Grupo atrás do café da manhã, pois isso já virou lugar comum...

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Vou falar do lago que terminei indo nesta manhã ! Já havia estado por lá em 2001 ( lembrem-se que já estávamos na rota de descida... ) e o local havia nos presenteado com um belo tucuna ( à época com 6 1/2 quilos... mas que já deveria ter crescido mais, afinal fora solto para isso mesmo... ), e poderia, quem sabe, nos dar "novas alegrias" ( aliás, estávamos precisando dela ! ). Antes porém, uma lembrança que tive. já que na véspera, naquela confusão de gasolina, procura do Aventureira, etc..., dois dos botes ( num deles estava um dos meus irmãos - o Mandi ) foram parar ( até para juntar a gasolina num mesmo tanque... e continuar procurando o barco hotel ) na casa de um ribeirinho, que por sinal, mesmo bastante modesta, era limpíssima e convidativa para "assar um peixe" ( que foi o que fizeram no almoço... ). Na conversa sobre os fatos, eles descobriram "partes" do quebra cabeça do porque estava sem peixe... Um das causas era um repiquete, que já havíamos percebido, mas não o principal deles... O problema maior mesmo, foi a passagem de uma "geleira" ( barco de pesca profissional ) pela região, desrespeitando as normas de pesca , e carregando tudo que era possível ! Segundo as testemunhas do local - sempre tem aquela "molecada" que não perde nada - a "fartura" havia sido tanta, que os primeiros peixes ( menores ) iam sendo substituídos nos isopores pelos maiores, e JOGADOS FORA... ( os meninos disseram que juntou até urubu... ). Será que precisa de mais explicação ? Pelo cálculo do ribeirinho, foram mais de dois mil peixes levados, e outro tanto desse jogado fora, há uns 15 dias atrás... e no processo de captura, valia tudo, de rede a "zagaia" ( lança usada a noite após iluminar os peixes que "dormem" junto as margens... é quase parecido a pescar com bomba... ). Destruição verdadeira, e só de tucunas... Triste ver ( saber ) de uma coisa dessas...

Mas o fato é que havia uma passagem próxima de onde o ribeirinho morava, que abrigava a entrada para uns lagos, e que não permitia o acesso de barcos maiores ( inclusive a "geleira" ), até porque era dali que a "comunidade" local, tirava seu sustento... Não é que o ribeirinho ofereceu acesso ao local, numa boa ! É por isso que dou o maior valor a esse povo sofrido da região ! Os caras ainda conservam a essência primordial do ser humano, que é a de oferecer o que tem de melhor, sem esperar nada em troca... ainda mais afirmando que "não tinha problema, pois o lago iria permanecer ali quando nós fossemos embora"... ( ah se nossos políticos se mirassem nesse exemplo... ). É claro que os três dos cinco botes já tavam lá no lago do cara, mas isso já é uma outra parte da conversa... ( que mais tarde eu conto ! ).

Voltando ao "tal lago", onde estava com o Compadre, a coisa não podia ser mais promissora ! Nível das águas no ponto exato, tocos por toda a parte, e até mesmo aquela vegetação verde que tanto atrai os tucunas era abundante no local... Ia ser ali, a nossa redenção !

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E começamos com o sunido das varas com arremessos cada vez mais precisos, e também longos ! Locais em que as águas escuras revelavam quase 1 metro de profundidade, junto ás beiradas de solo firme, eram mais que apropriados para se encontrar tucunarés, mas nada acontecia ! O fenômeno do "silêncio" se repetia ! Nem passarinho... Que urucubaca ! Fui consultar o barômetro, e vi que o mesmo apresentava uma ligeira queda, mas nada significativo... A temperatura era alta, mas não víamos sinal de peixe caçando... num lugar como aquele, era para haver estouro en todos os cantos ! Cardumes caçando, mas NADA ! Com o passar do tempo, e com os braços já dando sinal de fadiga depois de tantos arremessos, conseguimos arranjar uma meia dúzia, sempre de pacas ( 2 a 3 quilos ), mas nada que nos enchesse de emoção e orgulho, ou mesmo fosse digno daquele lugar !

Perto de "pegar o caminho de casa", finalmente ouvi um barulho de peixe caçando, e era som de peixe sarado, e o melhor, perto de onde estávamos... ( de motor elétrico seria "sopa", mas de remo... ). A estrutura de onde veio o barulho era dessas que tinha vegetação elevada sobre a água, mas que por dentro haviam pequenos canais por onde os tucunas caçavam, e que não permitiam o acesso de botes... Não dá para entrar, mas podíamos tentar fazer a volta, e foi isso o que fizemos... Devagarzinho ( como quem quer "roubar" ), sem qualquer barulho, fomos manobrando por baixo das árvores que existiam no lugar, torcendo para não encalharmos, e que houvesse uma passagem de acesso, e ela apareceu da forma que a havia idealizado ! Uma clareira, com bastante espaço para um lançamento longo, desde que preciso, poderia nos levar ao local onde supomos ter ouvido o barulho ( são tantas condicionantes a serem analisadas, que é preciso muita concentração ! ). Sem falar dentro do bote, preparamo-nos para ver se aconteceria algo ! Não tinha muito como nós dois fazermos os lançamentos no mesmo tempo, de forma que por estar num local mais próximo, teria o previlégio da 1ª tentativa, enquanto que o Compadre ficaria pronto para correr o risco na meia água ( não sabíamos a profundidade do local pretendido ).

Pensando em fazer barulho, optei por uma dupla hélice traseira ( Luhr Jensen - peacock bass de 3/4 oz e 10,5 cm ), e com calma foquei o ponto desejado, e mandei ver com minha Fenwick ( 6' - Medium - 8 a 20 lb ) predileta... Com enorme felicidade, consegui transformar o lúdico em realidade, ao cravar o ponto idealizado em local de aterrisagem daquela "massa barulhenta" de esperança ! Não deu nem para completar a primeira puxada integral, e a cabeçorra do açu deu sinal de vida, e espalhando água para todos os lados, e entrou firme naquilo que lhe parecia uma boa refeição !

Já dizia Newton que "para toda ação tem uma reação igual e contrária" ( desculpem-me mais vez por outra aflora minha veia profissional da engenharia... mas já passou ! ), e não tive dó, mandando ver ! O Regal Z acostumado com os "safanões" dessas "belezuras", segurou a peteca, e começou o "cabo de guerra" com o toma lá, dá cá ! Mas a minha vantagem, é que não tinha para onde ele ir, pois estávamos praticamente restritos àquela clareira, cujo fundo era de... "tranqueira" ( óbvio, né ! ). O bicho era graúdo, pois nem pular ele pulava, mas tinha uma força que fazia com que a ponta de vara se envergasse sem qualquer cerimônia... É claro que tudo isso aconteceu em poucos segundos, que parecem se eternizar pelas sensações que transmitem...

De repente, numa esmorecida, uma saída de linha ( o freio é bom, mas tem limite... até porque não é para quebrar a linha - 30 lb PowerPro ) e o bruto consegue chegar "no toco" ! Nisso, o piloteiro parecia ter ligado "o elétrico" e nos aproximávamos rapidamente do local da "luta" ! Sentindo a linha roçar no toco, cometi a "infantilidade" de subestimar o oponenete, e isso é regra básica na vida, quiçá numa pescaria ! Diminuí a tensão da linha permitindo que o bruto andasse um pouco, e "de presente" recebi uma volta completa num tronco submerso... Senti que o final estava próximo... Não estava nem a mais de um metro e meio de profundidade, e mais próximo pude ver aquele corpo amarelado corcoveando em torno do local onde a isca se encontrava, até que - finalmente - se enganchasse, facilitando a fuga do que seria o troféu do dia, quem sabe até o da viagem... Ainda conseguimos tocá-lo com um passaguá, mas a sorte lhe sorriu, e ele escapou ! Escaparia de qualquer forma, pois um bicho daqueles não é para morrer, mas apenas procriar... mas ele levou a melhor...

Consegui soltar a isca presa ( com o remo ), e as garatéias estavam bastante "judiadas"... Podem ter sido do peixe, ou do enrosco também... nunca saberemos dessa verdade ! Em compensação, ganhei minha manhã ! Recobrei minha alegria de estar pescando, e principalmente, voltei a perceber que quanto mais se pesca, mais se aprende... Hora de voltar para o Aventureira ! Nuvens de chuva ameaçavam um temporal ( e quando é que essa ameaça não é constante por lá ? ), e a sensação térmica era elevadíssima, e com a indicação de queda da pressão atmosférica, a coisa poderia mudar... motor aberto até o barco... Antes da chegada, um alvoroço a bordo já nos indicava alguma novidade ! E ela havia acontecido !

No tal lago ( olha eu "resgatando" a promessa de voltar ao tema... ) onde haviam ficado 3 botes, eles passaram toda a manhã com pouquíssimas ações, e até haviam pego um tucuna de uns quatro quilos ( bonito ! ), mas que com o calor da manhã, haviam desistido de ficar por lá... ( coisa de 11:30 h ) e saíram para as "bocas de lago", sempre mais produtivas... Mas o Mandi ( meu irmão ), não foi nessa, e com Barriga, ficou insistindo em pontos que pareciam promissores, até ás 12:10 h, quando a água ferveu ! Ficou efervescendo ( estilo sal de frutas dentro de um copo de água ! ) ! O cardume apareceu - FINALMENTE - e chegou comendo em todos os lugares ! Que festa ! Não precisava de tipo ou cor, mas apenas de colocar as iscas ( quaisquer ) dentro do rio, em qualquer lugar, que a batida era imediata, muitas das vezes com outros peixes correndo atrás do que já estava ferrado ! Só quem já passou por uma experiência dessas é que saberá entender o que descrevo ! Mandi embarcou 15 e Barriga outros 10 tucunas na faixa entre dois e três quilos ! É claro que ambos perderam as iscas, e tiveram que usar as varas reservas, uma das quais também foi "saqueada" e precisou repor o grampo e ter a isca renovada... Tudo isso aconteceu em menos de 15/20 minutos, e depois serenou como se não tivesse acontecido... MARAVILHA ! !

Tá pensando que acabou, mas não foi só isso não ! Já na saída do local, e em busca das batidas que haviam desaparecido, e usando isca de meia água, já naquela hora de levantar a isca para novo arremesso ( quando dá aquela paradinha para flexionar a vara ), o bruto emerge do fundo, ao lado do bote e abocanha a Maria The First - cabeça vermelha - 11,5 cm de forma estrondosa, praticamente praticamente sem linha alguma para fazer uma alavanca ! No reflexo, Mandi mete a estreante Rapala 5'3" dentro d'água ( com braço e tudo ) e vê seu molinete cuspir linha ! Já com linha na água, e longe dos tocos, a luta passou a ser uma questão de tempo, e após umas duas idas e vindas, o bichão pranchou ! Eram 12:40 h e ele pesava ( pelo boca grip ) entre 6,5 e 7 quilos ( arbitrados 6,5 quilos para evitar dúvidas ! ) e após as fotos, ele foi solto como quase sempre acontece... A animação estava de volta ao Grupo ! Almoço de celebração pelo troféu embarcado ! Por alí, seria difícil superá-lo... se ao menos tivesse embarcado aquele... ( acho que era maior que isso, mas achar não vale, só pesando embarcado... ).

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Concluindo, até pelo tamanho desse tópico ! À tarde, saí com o filho do Compadre, pescador dos bons, grande arremessador, e ótimo companheiro, que atende ( dentro do Grupo ) pela alcunha de "Pig" ( é criador de suínos no interior da Bahia ). Já pescamos muitas vezes antes, mas nunca havíamos conseguido voltar para o barco, com apenas algumas traíras e jacundás capturados ! Pessoalmente só peguei uma traíra e mais nada, nem mesmo gripe... A chuva que ameaçou, não veio, mas o calor que fez, não foi fácil... e o peixe se escondeu de tudo e de todos... ( como doía meu braço de tantos arremessos infrutíferos... ). O Aventureira já estava ( de novo ) nas portas do lago do "seo Agostinho", até para aproveitar um poço existente por lá, para ver se pelo menos o couro seria mais ameno...

Pode parecer um "lugar comum", mas somente aqueles que já sentiram a batida de um peixe vigoroso como a pirarara é que saberão avaliar o motivo dessa afirmação ! Um verdadeiro trator... e dos enjoados... Depois de uma tarde péssima, com a captura de uma traíra, era hora de ir a forra, e para tanto nem precisaria esperar muito, pois dizem os pescadores da região, que "peixe de couro" anda para comer meia hora antes do escuro, e no máximo até uma hora depois... Já aprendi que é preciso sempre estarmos atentos aos que vivem na e da região, pois a sabedoria neles é mais que instintiva... Isso significa dizer que o momento adequado dos "grandes bagres" é das 17:30 ás 19:00 h, e já tínhamos visto esse filme passar antes... nessa mesma pescaria ! Pegando o material de fundo ( vara MS de 60 lbs, molinete Regal Z 5000, linha de 60 lbs, e empate de um belo 10/0, com uma chumbada redonda bem mais leve que o de costume ) e ajeitando o bote bem próximo aonde estava o Aventureira parado, foi pegar "aquela" uma traíra, e cortar em duas partes, afinal não era hora de ser "miserável", usando pouca isca, e ir atrás da sorte ! É claro que em pouco tempo, estávamos em plena conversa, já que os outros botes também encostaram... Depois de ouvir o Mandi dizer, pela décima vez, sobre a forma como seu tucuna foi capturado mais cedo, e assistir um belo por do sol com o movimento migratório inverso dos papagaios e araras ( e eles passavam - sempre aos pares - às dezenas... ), foi hora do ambiente silenciar de vozes, mas nunca de sons locais... Não apenas pelo movimento da correnteza, sempre "a borbulhar", mas pela "acomodação" da vida diurna, sendo substituída pela do turno noturno... Os primeiros morcegos em substituição às andorinhas, e as luzes das primeiras estrelas se contrapondo a despedida do sol !

Por ter ficado com a isca mais próxima da correnteza, as piranhas me incomodavam menos, mas nunca deixavam de estar presentes... Nos botes ao lado, e com o próprio Pig, ainda meu parceiro de tarde/noite, as iscas eram constantemente renovadas... Com o escurecer, diminuiram "os roubos", mas jamais cessaram ! Mas onde tem piranha, tem vida, e já aprendemos que os "grandes bagres" frequentam os mesmos lugares, dependendo apenas de seu oportunismo ( e tamanho / força ) para prevalecerem no aspecto alimentício... Houve uma primeira batida na linha de Pig, e ela foi o sinal de que os "bichos" estavam por perto ! Mesmo esperando pelo "abaixar da ponta de vara", a fisgada não entrou... mas isso faz parte ! Da próxima vez, ser mais paciente, e deixar o bruto carregar um pouco a isca antes de tentar a ferrada ! Mas o peixe estava por ali... sinal dele eram as "branquinhas" pulando apavoradas sem maior motivo em vários trechos do rio...

Já eram mais de 18:00 h quando o Mandi avisou que estava com algo na linha... e alguém de imediato disse que o "cara tava cagado"... Soltar ou não o barco, eis a questão ! De comportamento diferente, o "peso" arrastava o bote, mas sem dar qualquer disparada... o piloteiro disse logo que era bom ficar preparado, pois as grandes pirararas muitas vezes assumem esse comportamento de "abobalhadas" até verem a luz do dia, ou pressentirem estar sendo trazidas para a superfície, para então colocarem pressão... mas não foi o caso da dele...

Nessa hora, quando todos estavam entretidos com o peixe do Mandi, senti o "encosto" na minha linha ! Com o máximo de concentração e foco no equipamento, vi a vara sendo puxada para baixo de forma vigorosa, e não titubiei em abrir a trava do molinete e permitir a saída de mais uns três metros de linha... até porque já estavam sendo tirados com alguma velocidade ! Cutuquei o Pig, e baixinho preveni o piloteiro que estava com peixe na linha para que se preparasse para soltar o bote ( se necessário ! ).

Tinha chegado a hora da verdade, e como "a estória não fala dos covardes" era hora do enfrentamento ! Porrada nele ! De uma vez só e com as duas mãos para não ter erro, sequênciando com a confirmação ( só para ter certeza ! ). Não deu outra e a cantiga do molinete ( aquela que provoca adrenalina circulando com maior intensidade ) mostrou que na outra ponta não era qualquer "bagre" ! Restava descobrir o que seria ? Pirarara ou Piraíba ? Podia ser qualquer um dos dois... E tome braço para segurar a corrida ! Bote já solto e atrás do peixe, possibilitoou-me recolher um pouco da linha retirada e como numa luta de boxe, uma parada estratégica de poucos instantes para uma "tomada de ar" ( por ambos ) e começava tudo outra vez ! E o cabo de guerra estava instaurado...

Concentrado nessa luta, nem havia prestado atenção nos berros do Mandi, que informara ter embarcado o peixe, que nada mais era que uma arraia de uns 10 quilos ! Parece ser coisa proposital, mas ele sempre se vê envolvido com as arraias desde nossas primeiras pescarias... mas isso já é um outro "causo"... Também ele não havia percebido que eu estava com peixe, apesar do bote estar no meio do rio ! O piloteiro resolveu ligar o motor de popa, até para de ré, evitar algo mais desagradável, e tentar manter o peixe no meio do rio, e não nas margens onde pudesse arranjar um enrosco ( o cara era do ramo - e que esteve presente na captura das outras duas pelo Compadre e por meu outro irmão, o Animal ! ) Motor ligado ajuda a puxar ( e minar a resistência ) do bruto... Tava chegando a hora de acabar a festa, pois as retiradas de linha não eram tão frequentes quanto antes, assim como o tempo de corrida, diminuía sempre, dando a entender que o bicho já estava perto de "pranchar", mas nem tanto assim, pois somente na terceira aproximação dele junto ao bote, antes dele voltar a tirar linha do molinete, é que confirmamos ser uma pirarara... e grande ! O "jogo" já apontava um vencedor, e após umas algumas últimas investidas no sentido de tirar linha, aquele magnífico corpo colorido se aproximou do bote, já na superfície, roncando como se estivesse pedindo clemência ! Um peixe desses não precisa pedir "clemência", pois é para ser logo solto, depois de devidamente revigorado, já que merece viver e mais adiante renovar essa alegria que sentia, junto a outro felizardo pescador !

Para mim o dia, que até então estava tão ingrato, se revelou dadivoso em me possibilitar essa fantástica experiência ! Mais uma vez, e cada vez mais, pescar é trabalho de equipe, pois não pega apenas aquele que está com o equipamento nas mãos, mas também os que estão em volta, facilitando, dando força, ou apenas torcendo... isso conta demais... Embarcamos o bicho no bote, e tiramos as fotos de praxe, para colocá-lo novamente dentro da água, e esperar que se recuperasse um pouco para enfrentar as "piranhas" que certamente estariam a espreita... Calculamos ( o mesmo piloteiro das outras duas... ) que ela tivesse próxima dos 30 quilos ! Um belíssimo exemplar, vigoroso, e certamente com muito tempo de vida pela frente...

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Já tava bom demais para encerrar o dia/noite e dizer adeus ao local, já que o Aventureira tinha planos de deslocamento noturno, com destino a foz... ( o medo de encalhar era evidente em Nélson... ). Ainda deu tempo de preparar uns "tucunas a Mocorongo" no jantar, afinal era noite de celebração, com o tucunão do Mandi e essa pirarara pega ! Mas no final das contas, o dia havia rendido mais de 100 peixes, o que não chega a ser uma coisa ruim assim... e levando em conta a tarde que tive com apenas uma traíra, ... ficamos até no "lucro" !!

Voltando ao Nhamundá, e a sequencia do relato, no trajeto de volta, já saindo da foz do rio, onde havia o risco de encalharmos, coisa que não aconteceu pelos instrumentos ( sonar ) e tripulação ( prático da região ) do Aventureira, paramos logo na entrada do Espelho da Lua, que pela sua extensão, mais parecia um mar de água doce ! Também dali seria possível, com os botes, termos acesso a algumas comunidades e suas lagoas reservadas para encontrar alguns tucunas ! Essa era uma das vantagens de estar com Nélson, vez que ele mantinha uma política de assistência a muitas dessas comunidades locais, mas o problema mesmo, era o acesso a esses locais, pela seca... Para mim, salvo por alguma surpresa, a pescaria já havia terminado, mas não ia ficar no Aventureira, e assim "fomos todos a luta" ! Passamos mais tempo navegando do que pescando, e com isso tivemos a oportunidade de ver ( ou rever - como era o meu caso ) alguns locais bastante bonitos e promissores, mas sem quaisquer condições para a prática pescativa... Iscas só de superfície ( nada contra... ), mas sem profundidade para o peixe estar a espreita, as capturas se restringiram a pequenos tucunas, jacundás, e muitas traíras... afinal, onde há lama, elas estão sempre presentes... Mas o que havia mesmo, era calor, e como ! ! No céu, descobrir nuvens de chuva era tão ou mais difícil que encontrar os tucunas desejados... Fotos desses locais ( observem onde está a água... ) ;

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COMUNIDADE DOS PORTUGUESES ( naturalmente que de "muitos anos" atrás )

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Voltamos para o Aventureira, com uma estatística inaceitável para o local onde nos encontrávamos, e tomamos a decisão de ficar nas beiradas do Espelho da Lua, pois haviam algumas boas estruturas a serem exploradas e certamente haveria "água" para o peixe ser pescado... Final de pescaria, com braços e corpos cansados, sol quente, muita adrenalina consumida e "quebra de rotina" realizadas, já fazia do Grupo um conjunto de pessoas saciadas, mas não inteiramente... ainda existiam aqueles ( quase todos ! ) que desejavam o desfrute até os últimos minutos do dia, já que iríamos viajar à noite para o município de Terra Santa, já no retorno para Santarém por conta das conexões dos vôos aéreos que teríamos que fazer já no caminho de casa...

Continuei com o Mandi ( reservo sempre os dois últimos dias - de forma integral - para pescar com meus irmãos ), e conseguimos fazer alguns dublês num pedral encontrado, inclusive com uns tucunas de mais de 3 quilos... mas nada assim tão representativo ! Cheguei a pegar um dublê na mesma isca, mas um dos peixes soltou antes de ser embarcado... O mesmo não aconteceu com meu outro irmão ( Animal ) , que conseguiu fotografar os dois gulosos numa mesma isca... :P

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Destaque mesmo, teve o Compadre, que pescando com o filho Pig, tropeçou literalmente num cardume de tucunas famintos, e fizeram a festa ! Acertaram a isca ( meia água clara de 9 cm ) e se deram bem ! Embarcaram 28 peixes em menos de meia hora ! Um sonho para qualquer pescador ! Todos na faixa de quilo e meio, ótimos para serem preparados com papel laminado, no melhor estilo Mocorongo ( trouxeram alguns para isso e soltaram os demais ).

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As demais duplas alternaram-se com alguns poucos peixes, enquanto que outras sequer tiveram o que marcar nas estatísticas... À noite, já com o Aventureira se deslocando, pude preparar ( engano também como "cozinheiro"... ) o já tradicional "tucuna á Mocorongos", só que na versão "forno" e

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As demais duplas alternaram-se com alguns poucos peixes, enquanto que outras sequer tiveram o que marcar nas estatísticas... À noite, já com o Aventureira se deslocando, pude preparar ( engano também como "cozinheiro"... ) o já tradicional "tucuna á Mocorongos", só que na versão "forno" e não na original, que é no braseiro, complementando as conversas e tira-gostos do Grupo ! Confesso-lhes, sem falsa modéstia, que fico salivando ao pensar naquele "acepipe", com o caldinho escorrendo em cima do arroz... ( AFASTA TENTAÇÃO da gula... ! ). Amanhecemos com o Aventureira fundeado próximo a entrada da cidade de Terra Santa, local de convergência de muitas embarcações da região, inclusive os "ônibus locais", com seus três andares iluminados e cheios de redes , visíveis a distância... Desta feita, nada de muita pressa ! Os mais experientes já sabiam que aquilo era "uma furada", mas que seria a nossa melhor alternativa para passar a manhã, já que ao meio dia seguiríamos para Santarém ( umas 15 a 18 h de navegação, rio Amazonas abaixo... ). Pela "tabela", meu fechamento era com o Compadre, e fomos em busca de alguma ação nas ilhas que circundam a cidade ! Mesmo sem acreditar que poderíamos achar alguma coisa, engatamos um tucuna cada ( de mais de quilo ! ) e também duas trairinhas... até para deixar empatada a questão... Depois disso entrou um ventão, e se já estava complicado, foi a deixa para nos encontrarmos com os outros botes e encerrarmos a pescaria com um belo banho de rio, nas areias de Terra Santa / AM ( um local abençoado mesmo... )

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No período da tarde, já com o Aventureira em movimento, dedicamo-nos a arrumar e embalar as tralhas ( ato penoso, mas necessário para assegurar o retorno dos equipamentos intactos... ). Depois foi ficar no ar condicionado para suar menos... e fazer um joguinho de cartas, pois ele também faz parte de nossas viagens ! Muitas risadas, gozações e alegria, como tem que ser todo final de pescaria ! Atracamos de madrugada... Diferente acordar no meio de outras embarcações, principalmente após tantos dias isolados no rio... mas o susto foi descobrir que estávamos parados há uns 200 m do local onde deveríamos, já que o pier de concreto para atracação dos barcos ( cujo movimento é intenso e de grande porte ) estava distante ! Para quem não sabe, Santarém é a cidade responsável pelo comércio atacadista da região do baixo amazonas ! Trata-se de uma cidade ( antiga ) fundada na época do ciclo do ouro, e que se notabilizou como centro de distribuição de mercadorias, inclusive pela ligação rodoviária através da BR Santarém - Cuiabá ! Cidade hoje com seus 250 mil habitantes, é muito bem cuidada, e bastante interessante de ser conhecida ! Beneficiada pela presença do fantástico rio Tapajós ( um dos mais belos rios brasileiros ), com suas águas azul turqueza e fundo de areia branca, são um colírio para os olhos mais exigentes !

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Fomos dar uma circulada pela cidade ( sabe como é, já tinha gente chamando "urubu de meu louro" ), até para desenferrujar as pernas ! Importante destacar que o nome do nosso Grupo, Mocorongos é originário de lá, que foi justamente onde começamos a pescar ! O termo ( mocorongos ) é uma denominação pejorativa a quem nasce no lugar, e calhou ( foneticamente ao menos ) para que o adotássemos... Às 08:30 h, o sol parecia ser o do meio dia ! Uma loucura ! Tínhamos marcado um banho de rio no Tapajós ( Alter do Chão é um local fantástico... ), mas não havia como manobrar o Aventureira do ponto onde se encontrava... O traslado estava marcado para as 10 h, de forma que era o tempo de tomar banho, fazer as fotos, premiações, dar as gratificações, apresentar os agradecimentos e seguir em frente ! Antes porém algumas vistas da cidade... ( Mocorongos tb é cultura... )

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Improvisamos as fotos no próprio Aventureira, pois lá fora estava complicado pela quantidade de gente circulando... e como sempre, foram entregues as medalhas para o maior número de peixes embarcados ( Kid com 65 peças ) e o melhor fairplay ( Capacete em votação acirrada que teve até 2º turno... ).

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Teve também o troféu de maior peixe embarcado ( no caso um empate entre o Compadre e meu irmão Animal pelas duas pirararas de 45 quilos ),

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E o troféu principal, que era o do maior tucuna, que ficou com o outro irmão ( Mandi ), que irá acrescenatar a sua camiseta mais uma estrela ( a quarta ) representativa do feito... Nos Mocorongos, cada um que recebe o troféu de maior peixe ( definido recentemente como o maior tucuna ), pode usar na camiseta uma estrela indicadora desse feito...

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Além do Mandi que passou a ter quatro, o máximo que os demais possuem são 3 ( eu e o Compadre ), 2 ( Animal e o Doctor - ausente desse grupo ) e 1 ( diversos... ). Mais do que um reconhecimento, uma forma de brincadeira que temos ! Mas sempre dentro dos limites da amizade, e não da competitividade acirrada ! Algumas fotos que se justificam nesse "final de festa" !

O GRUPO 18 - MOCORONGOS - 2005

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O AVENTUREIRA - Sempre citado, mas não "mostrado"...

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Um dos muitos retornos ao AVENTUREIRA... acho que este para trocar as tralhas...

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Alguns espécies expressivos... DESTA PESCARIA !

http://i10.photobucket.com/albums/a140/mpedreira/Nhamunda200512.jpg

http://i10.photobucket.com/albums/a140/mpedreira/Nhamunda200521.jpg

http://i10.photobucket.com/albums/a140/mpedreira/Nhamunda200528.jpg

http://i10.photobucket.com/albums/a140/mpedreira/DSC00721.jpg

http://i10.photobucket.com/albums/a140/mpedreira/000034.jpg

http://i10.photobucket.com/albums/a140/mpedreira/CompcT2-GVA.jpg

http://i10.photobucket.com/albums/a140/mpedreira/177-CapacetecomumgrandetucunaBarrig.jpg

Como "despedida" uma imagem que deverá fazer a cabeça de muitos...

http://i10.photobucket.com/albums/a140/mpedreira/DSC01903.jpg

Daí em diante, foram as trocas de avião, as esperas em aeroporto ( a boa notícia de que a bagagem extraviada de Jurupoca fora achada ! ) e o pior de tudo, as despedidas dos integrantes do Grupo 18, mais que companheiros pescadores, independentemente de laços sanguíneos, confirmaram seus laços de amizade fraterna ! Como sempre acontece a cada final de pescaria, a expectativa e certeza de que os erros observados serão "remediados", as ausências serão supridas, de forma que A PRÒXIMA SERÁ AINDA MELHOR QUE A QUE TERMINOU !

Por fim, e já na linha da Intrépida, agradeço àqueles que viajaram conosco neste aparentemente longo relato ( mas que revelou pequeníssimas passagens de tantas que gostaria de falar/escrever ), e que tenham conseguido agregar algum tipo de experiência do tanto que lhes tentamos transmitir ! Não pretendo ( nem quero ) fazer comparações entre os integrantes dos Mocorongos e os Intrépidos, pois são coisas distintas, e me considero integrado em ambos os espaços, cada qual com suas características de funcionamento ! Como já escrevi em outro tópico, sei que "uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa", mas o que unifica sempre "essas coisas" é o prazer de pescar, e conviver com pessoas que fazem desse passatempo, um motivo maior de satisfação !

E viva a pescaria ! :P

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Puts....Kid....seus relatos são perfeitos...Seus textos são fantásticos. Eu já tive a oportunidade de ler esse relato lá no Intrépida...mas não poderia me furtar a comentar novamente aqui.Eu ri muito, fiquei nervoso, vibrei, salivei....hehee....tudo no seu relato.É incrível como conseguimos estar lá...ao seu lado...vendo tudo perfeitamente.Eu ri de chorar tentando imaginar vc dentro do restaurante contando a quantidade de pratos...já pensando nesse relato...hehee....Fiquei imaginando como o colega conseguiu se fisgar...Fiquei nervoso a ver a turma perdida...e a gasolina acabando.Fiquei triste ao ver q os peixes não saiam...Fiquei alegre em ver q vc, apesar de ter perdido, talvez os maiores, continuou com o espírito da alegria presente.Fiquei alegre em ver q turma não trapaceia para tentar levar uma estrela a mais na camisa...mesmo em uma situação de extrema competição. (pode apostar q é grande).Realmente vc pode ir se preparando para escrever um livro sobre pescaria...q ele será um "best seller" pra nós pescadores.Diga aí pra nós...vc se lembra disso tudo depois q chega da pescaria...ou vai escrevendo na viagem???Bem...não poderia deixar de comentar algumas coisas da pescaria...(longe de mim querer ensinar vcs...blz??? são apenas observações pessoais q faço para enriquecer o tópico...e aprender com o retorno) :arrow: Linha 30lb-40lb é para pescar piau...heeehhe....Bocudos acima dos 8Kg estouram linhas 65lb/80lb (eu já vi...ninguém me contou...hehe)...Eu não dou chance para os grandes escaparem (e mesmo assim os perco...hehe)....mas a linha é muito fina...pode apostar. :arrow: O horário do almoço é o melhor de pesca. (na minha opinião)....Como eu disse no meu relato de Barcelos 2005, eu rachei de pegar peixe em uma lago das 11:30h às 14:30h.....No outro dia eu voltei no mesmo lago...só q fui na secura, e já estava batendo a isca na água às 9h da manhã...Não peguei nada. Eu ainda avisei o meu parceiro "rapaz...nós estamos pescando na hora errada!!!" ...ele achava q era por conta da pressão de pesca do dia anterior....Só sei q saímos do lago às 11h....Na hora em q saíamos...um barco com 2 amigos estavam entrando...No final do dia lá vem os dois com a cara de tácho...hehee...mostrando a foto de um bocudo de 10Kg q ele pegaram onde nós havíamos pinchado....kkkkkk....Outra coisa q percebi é q vcs curtem muito mais a pescaria q eu...e minha turma...Vou te falar uma coisa....Nós somos os caras mais fominhas q eu já vi na vida...Vcs ainda falam de comida...kkkkk.....mas nós só falamos de peixe...o tempo todo....o dia inteiro. Peixe, peixe, peixe...e mais, peixe. Isso se torna cansativo e estressante...Nós chegamos a passar fome, sede, sono, etc...só para pegar os grandes bocudos...hehe...Preciso rever meus conceitos....hehe...E vamos nos falando....Preciso dar uma saidinha básica...mas depois posto mais... :lol:

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Grande Fabrício,

"menas... menas... " ! :oops:

Escrever precisa de tudo aquilo que você diagnosticou, até para não ficar "monótono"... :wink:

Respondendo-lhe :

1. Para escrever ( e faço isso com constância - pelo menos anual... ) me guio um pouco pelas fotos e algumas poucas anotações, mas 90% do material é de lembranças posteriores, principalmente das conversas havidas entre os integrantes naquela hora ruim do "tira gosto" com uma gelada... Na verdade, chego a editar um "quase livro" em cada uma dessas pescarias que fazemos... Esse material "postado" é um rapidíssimo "trailer" de tudo... Os Comentários Finais de cada pescaria são bem mais detalhados e minuciosos que isso... Até porque ele são feitos de forma a serem posteriormente consultados... ( quem sabe por meus futuros netos... ). Cada um dos integrantes recebe uma via completa... A desse ano vai sair só em CD... ( modernização... ) e já sei que vai ser uma chiadeira só... :shock:

2. O esquema da linha é complicado, mas já estejamos fazendo "up grades"... Nas primeiras pescarias na região eram de 25 -30 lbs com lideres de 40 lb ( mono ). Nas últimas já usamos 50 lb... mas - como você mesmo disse - tivemos várias linhas cortadas... É possível que venhamos usar as de 65 lb, mas já com dores antecipadas nos ombros & braços, mesmo sendo multi, já que os conjuntos precisam acompanhar essa resistência ( vara MH, molinete maiores - por conta do freio, etc... ). De qualquer modo, as vezes a esportividade é colocada em risco, e como a "fominhagem" é grande... capaz de rolar um "incremento" de libragem... 8)

3. Horário de almoço - é controvertido... e mais, é nessa hora que o sol está derretendo... mas já tem gente achando ruim não pescar nesse horário... Já devem ser influênmcias da "Turma do Biguá"... :twisted:

4. Curtição - Isso é um fato ! Quanto mais antigos os integrantes, mais tranquilidade e apreciação de outras coisas no decorrer da pescaria ! Há muita fominhagem ( é verdade ), mas depois do 3° dia, as coisas já entram num normal, e a "degustação" e o "papo" correm soltos, sem essa afobação e estresse... tem vezes inclusive que o assunto "Isca e/ou peixe" fica "isolado", com o consenso em torno de outro tópico... Uma coisa mais "civilizada" ( se é que me entende... ). É claro que "ter peixe" é fundamental ! SEMPRE ! Mas vejo - a cada ano que passa - que outras coisas se agregam a essa satisfação e o CONVÍVIO é um deles... Fique tranquilo, que vocês chegarão lá... :D

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Grande Kid,Uma das coisas que me enfadaram com os injustos ataques à Intrépida foi a perda de coisas valiosas como este seu relato!Já na ocasião o amigo surpreendera aos Intrépidos com sua tremenda capacidade de escrever e de fazer-se entender no que escreve, retirando do texto, o supra-sumo dos fatos. De mesma ocasião, meu comentário primou pelo destaque destas suas qualidades, parabenizando-o no nível que merece, mas quis a modéstia do amigo que me agradecesse dizendo que o texto não era tudo aquilo que eu dizia e coisas do tipo. Todavia, o texto está aí, para que todos possam ler e avaliar! Nada mais simples!E, hoje, faço vivas aquelas mesmas palavras, cuidando de dizer também, que agora não vale aquela contestação carregada de modéstia, pois minha avaliação, que não tem nada de superlativa, não é mais do que evidenciar a simples percepção de ler algo que é realmente bom!Parabéns, amigão! Nunca pare de escrever! Nem de nos brindar com estas publicações na Net, que a meu ver, já se configuram num protótipo daquilo que um dia poderá se tornar um belíssimo livro de aventuras de pesca!É com esta mensagem que entro pela primeira vez nesta casa, para a qual, já se pode ver, vislumbra-se tremendo sucesso. Parabéns aos administradores e moderadores!Grande AbraçoBomediano

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