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Angelo Roberto

Homenagem ao Carretinha

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Já se vão quase 30 anos, e hoje acordei pensando no Antonio Carlos ou Toninho ou Carretinha.

Isto daria até música nas mãos de Tião Carreiro, Antonio Carlos era meu vizinho em Santo André, bastaram 10 dias de mudança para

a nova casa para conhecer o meu vizinho, foi meio inusitado pois eu chegava do serviço e vi o dito cujo em cima de minha casa e com aquele

jeito amável, que só mineiro tem quando quer, foi logo me dizendo que viu a calha suja e estava limpando.

Começou ali nossa amizade, Carretinha era um sujeito daqueles de ir entrando na tua casa com umas cervejas geladas e um prato cheio de torresmo. As conversas 

eram longas, principalmente por nossa principal afinidade que era a pesca. Eu um habitual pescador de Robalos em Santos e ele um monstro na pesca do Lambari em Muzambinho.

Não tardou muito para irmos com as famílias para Muzambinho, ficávamos na casa de  sua mãe a dona Santa no centro da cidade, mais a usávamos para jantar e dormir pois

durante o dia íamos pra roça pescar, pegávamos a estrada que sai da rotatória ao lado da escola agrícola e depois de uns 50 minutos chegávamos a vendinha do compadre Zé,

um pedaço de "toucinho defumado" e uma dose de cachaça preparavam o estomago para a pescaria. Da venda à curva do rio eram 5 minutos de picada e lá estávamos no paraíso.

Ali formava uma ferradura que foi cuidadosamente limpa, ficando apenas as árvores maiores para dar sombra e abrigar uma churrasqueira bem improvisada. Era nosso local de pesca, ou melhor o meu,

o das mulheres e das crianças pois Carretinha se empunhava da vara e do "borná" e saia caminhando rio acima para ir parando de poço em poço e como sempre pegando os Lambaris maiores.

O tempo foi passando, as pescarias se sucedendo até que Carretinha se aposentou (muito novo até pois trabalhava no polo petroquímico) e cumpriu sua maior promessa, voltou pra terra mãe e 

construiu uma casa bacana ao lado da venda do compadre Zé, ai juntou a fome com a vontade de comer.

Abro um parenteses aqui para dizer de como surge a fé na vida, Carretinha passou a ser considerado um homem santo no lugar pois não se recusava a cuidar dos enfermos da região, cuidava de um pessoal com cada ferida feia, ele não fazia milagres e sim uma boa assepsia e me dizia num canto que se não fizesse uma oração com as pessoas, elas não acreditavam na cura.

Foram muitas pescarias, muitos leitões à pururuca e uma quantidade infindável de cachaça na vendinha, uma vara de bambu, linha 0,25 e anzol mosquitinho. Tudo simples demais, mas que tenho saudades

até hoje.

E como acabou? Como sempre, a vida num ato de extrema cretinice levou Carretinha, mas ele se foi onde quis, num enfarto fulminante à beira do rio e pescando.

E eu ainda acredito que até hoje seu espirito caminha pelos poços daquele riozinho pegando os melhores Lambaris, tenho na mente um grande amigo que um dia ainda vamos

pescar juntos nos rios do céu.

Não importa o peixe, o rio ou o equipamento, importa é o amigo que esta ao seu lado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fantástico!!!! Com certeza ele tá te vendo lá de cima..

 Umas pessoas assim são abençoadas e amadas por todos que tem o privilégio de conhecer na vida... 

Lembrei do meu avô que era bem parecido com seu amigo, que hoje estao lá juntos!!! Deus não conta os dias que passamos!!! Vozao meu eterno amigo!!! Obrigado por tudo nessa vida, com certeza vc e a vozinha foram os melhores avos do mundo!!!

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