Welcome to Fórum Turma do Biguá

Pra nós é um enorme prazer tê-lo em nossas páginas. 
Todo o conteúdo postado por nós é aberto a todos, no entanto, para postar suas dúvidas, dicas, vendas ou para comprar um produto e etc, é necessário que você se cadastre em nosso fórum. 

Sinta-se em casa no fórum onde as turmas se encontram!

Fórum Turma do Biguá ::tudo:: 

Gilbertinho

Membro
  • Total de itens

    166
  • Registro em

  • Última visita

1 Seguidor

Sobre Gilbertinho

  • Rank
    Já consegue zarar
  • Data de Nascimento 27-07-1948

Profile Fields

  • Nome + Sobrenome (obrigatório)
    gilberto marcelino

Informações de Perfil

  • Sexo
    Masculino
  • Localização
    Caracarai - RR
  • Interesse
    interesse geral em náutica
  1. Moçada, Há algum tempo discorri sobre riscos da pesca na Amazônia. Um dos tópicos tratava precisamente da ameaça representada pelos morcegos hematófagos. O que vejo aqui é uma crescente preocupação com as populações de animais "doadores" de sangue para os morcegos e a real possibilidade de contaminação de animais criados pelo homem, notadamente bovinos, muares e equinos, o que é bastante grave. Contudo, infelizmente a questão não se subsume a isso. O morcego-vampiro também se alimenta do sangue humano, e já testemunhei ocorrência dessa ordem nas proximidades da foz do Rio Branco, afluente da margem esquerda do Negro, em seu curso médio. Quem se interessar por um maior detalhamento, deve localizar o tópico no Fórum, foi lido e comentado por muitos membros. Lembro-me que na ocasião recomendei à turma que se desloca para a pesca na região (praticamente toda a bacia do Negro) que feche portas e janelas de camarotes durante a noite e que utilizem mosquiteiros caso resolvam dormir em redes. Creio que o excelente trabalho de pesquisa apresentado neste tópico não incluiu dados sobre a Amazônia Ocidental, caso contrário comprovariam o que submeti ao conhecimento de todos. Abraços, Gilbertinho da Amazônia
  2. Seu João, Nessa altura do campeonato o senhor já deve estar pensando em substituir o relógio que comprou na época da submissão do assunto no Fórum. Se assim for, eu me deparei com o mesmíssimo dilema, e pesquisando bastante, cheguei aos relógios da Garmin, especialmente o modelo Tactix Bravo, que tem tudo o que o senhor desejava e muito mais, como visor de safira, display colorido, GPS de Navegação e tecnologia Bluetoot, além dos tradicionais recursos ABC (altímetro, barômetro e Bússola) . Pode adentrar em qualquer sistema de lagoas, igarapés ou rios sem ter de marcar pontos de referência para a volta em segurança. Só por curiosidade, dê uma olhadinha em suas características técnicas. Está custando cerca de 3 mil, é quase o valor atualizado que o senhor se dispunha a gastar. Não deixei passar a oportunidade, só estou aguardando a chegada para estreá-lo nos percursos que sempre faço de Roraima aos afluentes do Negro. Abração Gilbertinho da Amazônia
  3. Wender, Inês é morta, a turma respondeu certinho, exceto os mecânicos consultados. O varão fino referido pelo Guto apresenta três posições: uma superior, que engata uma das engrenagens alojadas na rabeta (fica uma de frente para outra, e o pinhão fica localizado entre ambas). Uma central, que é o ponto morto do sistema, e outra inferior, que engata a outra engrenagem no sentido oposto ao da primeira. O que pode ter ocorrido, é que numa eventual troca do rotor, foi deixado um espaçamento maior entre as partes da rabeta, afetando a regulagem do varão. Também pode ser que o parafuso que fixa a regulagem do varão tenha afrouxado e afetado a regulagem. Costumo fazer o seguinte: libero de vez o varão. Com um alicate, pressiono-o para baixo até que engate a marcha (faço isso virando simultaneamente a (o) hélice com as mãos). Daí posiciono a alavanca de câmbio no ponto de engate e aperto o parafuso de regulagem do varão. Feito isso, ainda com as mãos sigo movimentando a (o) hélice enquanto alterno as marchas, checando se os engates estão firmes, sem deslizamentos, inclusive no ponto morto. Espero ter ajudado. Gilbertinho da Amazônia
  4. Rodrigão, Primeiro ponto: Uma coisa é o que se diz, outra é o que se faz. Assisti o vídeo que o amigo agregou à postagem. Nele, o general de cinco estrelas comandante do CMA (Comando Militar da Amazônia) disse que o Exército entra tranquilamente nas terras indígenas. Mas o que vi na TI Tenharim-Marmelos (região do Madeira) o contradiz. Em 2007, um comboio militar trafegando na Transamazônica pretendia passar pela TI sem pagar o pedágio que os tenharim cobravam. Para garantir a cobrança, havia um posto de controle com um enorme tronco que atravessava a estrada. Quem quisesse passar teria de parar, pagar, e seguir viagem. Pois bem: o comboio era comandado por um tenente, que seguia puxando a fila. Como todos, parou o veículo e se apresentou ao índio de plantão na barreira, pedindo que levantasse a barreira pra seguir em frente, o que foi condicionado à apresentação de sua identidade militar. Vai pra aqui, vai pra lá, e nenhuma das partes cedia. Depois de um bate-boca tremendo, o tenente advertiu que se não fosse liberado, os soldados armados viriam para resolver o problema, e o índio respondeu que ficasse à vontade, pois já estavam cercados por índios de várias aldeias, ainda que não estivessem visíveis. Diante disso, o tenente fez o comboio dar meia-volta e retroceder, não sem antes mandar que se ateasse fogo em duas pontes da rodovia. Constatado o fato, os índios exigiram providências junto ao comando do CMA, que determinou que as pontes fossem imediatamente reconstruídas, e assim foi feito. Ponto pra indiarada. Segundo ponto: a TI Yanomami é vizinha da cidade onde moro (Caracaraí, Roraima). Os Yanomami não são isolados, tanto vai muita gente pra lá , entre missionários, agentes de saúde, garimpeiros, etc, como vem índio pra cá todos os dias, em bandos. Homens à frente, nada a tiracolo, e mulheres com vassouras, cestos, arcos e flechas para vender na cidade. Os homens gastam tudo em bebida e pernoitam nas calçadas e casas desocupadas, e de vez em quando brigam entre si, ao sabor de bordunas e o que mais tiver ao alcance. Não é nada bonito de se ver. Aliás, a questão indígena na Amazônia é interessante. A grande maioria dos povos descendem dos Aruak, que migraram do litoral do Caribe para a nossa Amazônia, fugindo da invasão espanhola. Dessa raiz surgiram diversas etnias, como os Macuxi (mais ao extremo norte), Tucanos, Baré, Maniva, Nadôb, Pita-Tapuva, Arapasso, Tariano, Tikuna, Kuripaco, Desana, Waimiri-Atroari, Wai-Wai e Jacami, entre outras. Todas, sem exceção, se relacionam com a chamada "sociedade envolvente", que somos nós, os não índios. Terceiro ponto: Você tá certo. Onde se localizarem os recursos naturais de interesse estratégico/econômico, aí o "bixo" pega. Não tenha dúvida que tudo será tranquilamente explorado (inclusive a pesca) pelas grandes, médias e pequenas corporações, tendo os índios como sócios que nada precisam fazer pra receber uma grana da pesada. Afinal, como reza nossa Carta Magna, os recursos naturais das terras que ocupam são de seu exclusivo usufruto e, nessa linha, o termo exclusivo usufruto tem interpretação por demais ampla, já que os recursos podem ser negociados com terceiros, pessoas públicas e/ou privadas. Abração do Gilbertinho da Amazônia
  5. Do jeito que a tecnologia vai, uma hora dessas vai se perder o que a pescaria tem de melhor: a incerteza de pegar algum peixe e que peixe vai bater na linha. Só falta lançarem no mercado um robõ que faça tudo: localize, identifique, pesque, meça, pese, fotografe e reintroduza. Tudo no automático. Poderíamos até ficar em casa ou na barraca, assistindo tudo em tempo real, via transmissão eletrônica. Caraca, não sei porquê, mas dá uma sensação de fazer sexo com boneca inflável!!!
  6. JC, Infelizmente não consigo vislumbrar o que sucederá sobre a questão indígena no Brasil. Como está, não se pode falar em integração. Veja o caso da Raposa do Sol, por você citada: os índios que ali viviam estavam harmonicamente integrados aos povos "envolventes". Boa parte deles trabalhava em fazendas produtoras de grãos, e tudo corria muito bem, todos satisfeitos. Até que num dado momento, entra na história o CIMI - Conselho Indigenista Missionário, vinculado à Igreja Católica. Teve início o conflito. Propriedades rurais plenamente documentadas e regularizadas foram varridas da região, num processo de violência explícita à Constituição Federal no que tange ao direito de propriedade. Não houve desapropriação, ninguém foi indenizado, como reza a lei. Em decorrência, instalou-se um conflito entre os índios, na maioria contra a nova demarcação. Mas prevaleceu a pressão de ong's, do CIMI e dos antropólogos da FUNAI. A coisa foi parar no Supremo, que bateu o último prego no caixão. Deu no que deu. Interrompeu-se o ciclo de integração, e as perdas econômicas e sociais foram enormes. Sinceramente, não creio que estaremos a ver tão cedo qualquer processo de integração entre índios e nãos índios. As lei atuais (inclusive as que respeitam à pesca esportiva), sinalizam claramente nesse sentido. As terras indígenas continuarão a ser território proibido, e nosso ingresso estará sujeito a uma série de restrições, como agora. É como se estivéssemos noutro país, sujeitando-nos a um regramento distinto do que o reservado aos seus próprios cidadãos. Resta que o empresariado da pesca busque adequar-se às novas exigências legais, e que a comunidade de esportistas pescadores assimile os preços dos pacotes, que certamente serão majorados por conta de responsabilidades financeiras que as empresas terão forçosamente de assumir, quer pela competição pelo lugar, quer pela imposição. Simples assim. Amigo, essa caminhada que juntos trilhamos foi muito interessante e instrutiva, creio que saímos dela melhor preparados para o enfrentamento de temas diversos, resumidos num bom sobrevoo sobre aspectos legais, indigenistas, sociais, econômicos, ambientais e empresariais, tendo como foco central a pesca esportiva. Por certo, poucos imaginam que há tantos vieses envolvidos num assunto tão singelo como esse. Creio que o mais correto é a partir de agora fazer o que o Kid decidiu: sentar na arquibancada e assistir o que o futuro reserva, salvo se, motivadamente, alguém resolva nos tirar dessa zona de conforto. Fica um abração e um sincero agradecimento por sua paciência e dedicação. Gilbertinho
  7. Kit, Sei que estou devendo ao Fórum o Avatar e uma apresentação decente e uma seção de fotos dos meus barcos (4 na atualidade e 1 em construção). Agradeço até pela tolerância. Como você diz, sou um nome sem rosto. Mas por estes dias estarei concluindo a reconfiguração e restauração da caçulinha Marajó, à qual incorporei até cabine de comando e serviços, tudo em alumínio e acrílico, é meu hobby predileto. Vai agora para o teste na água e a seguir para a montagem final, oportunizando a produção de imagem para postagem no FTB. Ante isso, peço mais uma pitadinha de paciência. É a especial postulação de um simples e humilde Moderado. Abraço, Gilbertinho
  8. Marcelo, Os decretos que regulamentam o período do defeso variam de forma e conteúdo de acordo com a região, uma vez que a competência para legislar sobre a pesca é competência comum da União e dos estados-membros. A grande maioria desses decretos permite a pesca de subsistência, praticada por ribeirinhos e pescadores profissionais, sendo vedada a comercialização. Embora tais normas em geral não tragam previsão alguma sobre a permissão de pesca "quota zero", que é a principal característica da pesca esportiva, há estados e regiões que a admitem, sem contudo, expressar tal permissão, como já disse. O ideal é que você consulte (se puder fazer a consulta por escrito, melhor) o órgão ambiental competente (preferencialmente o IBAMA ou mais recentemente o MAPA) em sua região, para ter uma resposta conclusiva num ou noutro sentido, lembrando que as espécies exóticas, introduzidas ou híbridas não estão sujeitas a essa proteção especial. Importante ainda observar que em algumas regiões brasileiras o Tucunaré é considerado espécie introduzida, já que não é autóctone em todas as bacias. Isso significa que em rios de bacias onde os tucunas não são nativos, eles podem ser pescados em qualquer época do ano. Já onde são nativos, não. Caso queira se aprofundar mais no assunto, a lei 11.959/2009 dispõe sobre a pesca em âmbito nacional. Abraço Gilbertinho da Amazônia
  9. Dileto Kid, Ao anunciar uma forte tendência de alterações no mercado da pesca esportiva em terras indígenas, minha intenção foi unicamente a de alertar os pescadores que compram pacotes de operadoras dos riscos agora presentes. Recordo, sem necessidade de consultar o que antes anotei, que oriente a turma para pedir que o operador apresentasse documentação válida para pesca nessas áreas, para não enfrentarem futuras decepções e/ou constrangimentos. Infelizmente, ao invés de agradecimentos, recebi algumas críticas por estar supostamente provocando ruídos, etc, etc. Mas o fato é que jamais pretendi debater esse assunto com quem quer que seja, contudo as circunstâncias evoluíram até o ponto em que estamos. De certo modo, vejo-me satisfeito por encontrar no Fórum membros dispostos a interagir de forma positiva nessas discussões, como o JC e mais recentemente o Fabrício, trata-se de uma oportunidade para irradiar o que conheço no âmbito jurídico-administrativo e também fático dessas complexas correlações, e tenho recebido como contrapartida dos colegas informações e pontos de vista bastante interessantes e valiosos. É um boa, senão excelente forma de sair da arquibancada e entrar no campo do jogo, bem sabe que a perspetiva é bastante diferente. No mais, ainda que o amigo tenha resolvido optar por simplesmente acompanhar esse painel involuntariamente criado, também folgo em saber que pessoas de seu nível estarão indiretamente envolvidos nesse exercício intelectual, ainda que como resultado prático pouco venha a somar, diria que apenas seguimos nos construindo como pessoas. Demais disso, creio até que a idade pouco ou nada tem a ver com ser ranzinza. Estou beirando os 70, e acordo com dores físicas todos os dias e fico feliz com isso, já que são indicadores de que continuo vivo. Ruim mesmo será o dia em não sentir absolutamente nada ao "acordar", pois estarei mortinho da silva, deixando meus entes queridos. Sem querer me meter em sua vida, aprendi que a gente deve viver cada dia como se fosse o último, valorizar e aproveitar cada segundo de vida, até porque um dia qualquer será efetivamente o último, e me recuso a admitir que eu poderia torná-lo melhor, em função de minhas escolhas e atitudes, por menores e insignificantes que pareçam ser. Todo fato gera consequências. Sentirei saudades de suas valiosas intervenções. Abração, Gilbertinho
  10. Dileto Fabrício, Você está coberto de boas razões. De fato, o Direito, enquanto ciência, além da semântica que o caracteriza é também democrático, notadamente no plano da edição das leis, que servem simultaneamente a propósitos louváveis e também a aspirações ilegítimas. Temos de conviver com as duas, infelizmente. Relativamente ao MPA, suas ponderações se amoldam perfeitamente ao verdadeiro caos promovido por aquela "agremiação partidária", baseado fundamentalmente no prestígio às colônias de pesca "entenda-se predadores" e na ampliação do número de pescadores artesanais, que chegou a alcançar quase um milhão de ribeirinhos e não-ribeirinhos que nada tinham a ver com a pesca. No entanto, passaram a receber o seguro-defeso, equivalente a 4 salários mínimos ao ano. Tratou-se simplesmente de uma compra de votos travestida de política de governo. Tão relevante quanto, competências antes pertencentes ao IBAMA foram transferidas ao MPA, engessando ainda mais a já engessada máquina federal de meio ambiente. Ao menos, seus quadros funcionais eram (e são) formados por técnicos especializados, e não por cabos eleitorais do PT. Enquanto servidor público superior da administração pública em Roraima, tive sérias rusgas com os superintendes politicamente nomeados pelo MPA. Menos mal que suas atribuições foram agora transferidas para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que no plano sanitário passa a exigir e fiscalizar a qualidade do pescado colocado no mercado nacional, porém tenho sérias dúvidas quanto à sua capacidade em gerenciar recursos pesqueiros, já que jamais teve tradição nem domínio sobre o tema. Melhor seria retornar para o IBAMA; Com a devida venia, ouso dissentir de sua visão sobre não haver interesse em explorar a pesca esportiva em terras indígenas das regiões economicamente mais desenvolvidas face a inexistência de peixes. É possível e correto deduzir que a falta de peixes nessas áreas decorreu de um processo histórico de exploração desenfreada, o que me leva a acreditar que no caso amazônico, esse contexto é diametralmente oposto, ainda há por que lutar (ou disciplinar). Na hipótese de que o governo central venha de fato levar a sério o que reza a lei (e parece estar levando, pelos documentos e sinalizações atuais), a pesca esportiva encerrará a possibilidade da plena revitalização dos estoques pesqueiros, afastando a ameaça consumada nas demais regiões antes citadas. Mais que isso, garantirá que atividades ambientalmente sustentáveis - como a pesca recreativa/esportiva perdurem no infinito do tempo, é minha expectativa central. O amigo entende que o assunto pode vir a ser uma grande piada, tudo é possível. Entretanto, sei que os cenários atuais podem ser facilmente modificados - para melhor, dependendo da vontade política. Nessa linha, há um bom tempo não enxergava uma luzinha que trouxesse esperança, e agora passo a ver. Só torço para que não seja o trem chegando. E se me permitir, ouso também dissentir de sua leitura sobre benefícios financeiros e outros que os índios passarão a perceber das operadoras selecionadas em processo administrativo-social. É que, se a Carta Magna estabelece que o usufruto dos recursos naturais das terras indígenas lhes pertencem, nada mais normal que negociem esse usufruto com terceiros, é o que ocorre com a mineração e as telecomunicações, por exemplo. Ademais, considerando o estado de miséria em que vivem em decorrência da anacrônica política indigenista do passado, vejo com bons olhos a promoção de seu desenvolvimento, é mais que necessário melhorar os indicadores sociais (IDH) desses nossos (queiramos ou não) irmãos; Sua análise sobre os estragos feitos pelo PT refletem o pensamento das camadas civilizadas de nossa sociedade, é coisa para não esquecer, sob pena de futuramente testemunharmos sua reedição. Afinal, vivemos em duas repúblicas (ou rés públicas): a das bananas e a das jabuticabas. E nenhuma delas presta. Amigo, sinto-me feliz por receber e acolher suas pertinentes ponderações. Adiro incondicionalmente a elas, exceto pelas dissensões a que me referi, mas é coisa miúda, como diz o chefe da quadrilha petista, "sai na urina". O importante é renovarmos nosso otimismo, nossa crença de que algum dia alguém com poder protagonizará o que espera a sociedade civil organizada. Abrir mão desse direito-dever é incompatível com o exercício da cidadania. As vozes de gente como nós devem ecoar pelas salas dos decisores, em todos os âmbitos, e sob esse fundamento venho instando o empresariado para unir-se na defesa de causa própria. Deixo um abração e desejo à você e sua família um exitoso 2017. Não deixe a linha quebrar nem o anzol enroscar (aqui se diz "engatar". Sinceramente, Gilbertinho
  11. Estimado JC, As disposições dos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário possuem hierarquia infraconstitucional, porém não raro verifica-se em julgamentos do Supremo sua evocação como normas de peso constitucional. Por economia processual, peço que leia o que reza o Decreto Presidencial 5051/2004, quem tem apenas 3 artigos, que devem ser lidos e internalizados pelo amigo. Ele traz cópia integral das disposições da Convenção, que devem ser igualmente lidas e assimiladas. Quanto a eventual revogação de norma constitucional, como você especula, é evidente que tal juízo não procede. As previsões da OIT não detém esse condão, situam-se no campo da complementaridade do direito estatal sobre o tema. Demais disso, considere os aspectos da exegese aplicada (sempre) aos ditames da lei, por vezes emprestando uma nova interpretação, conformada em face da exegese influenciada pelas mudanças nos diversos cenários que envolvem as ciência, como um todo. Daí surge o vocábulo juridiquês "interpretação conforme". Resumindo, embora desnecessário diante do seu grau de conhecimento, não há disposição legal que permaneça incólume indefinidamente, permitindo uma interpretação estrita de seu texto. É a natureza semântica do Direito, enquanto ciência. Logo, nada justifica o entendimento de que a norma oriunda do Direito Internacional (caso da Convenção 169) trará, por consequência qualquer revogação de disposições legais do Direito Pátrio. Ao contrário, possuem natureza suplementar, e devem ser implementadas pelos estados signatários, após aprovação pelo Congresso Nacional, no caso brasileiro, o que ocorreu em 2002. Não há o que dissentir de suas observações quanto a incidências das normas referidas, nem a norma da Convenção afronta o que está nelas estabelecido, inclusive no plano minerário. Contudo, é preciso ter em conta que um dado jazimento mineral localizado numa terra indígena somente poderá ter autorizada sua explotação mediante assentimento dos povos locais, que perceberão os royaties dela decorrentes. As demais atividades econômicas em terras indígenas igualmente se sujeitas a essas condições, de acordo com suas especificidades. No caso concreto da pesca esportiva, creio estar vencida qualquer eventual dúvida quanto à competência exclusiva da União em matéria legislativa acerca de terras indígenas. Essa é a razão pela qual tipifiquei como "invasão de competência" os atos de licenciamento de atividades exarados pelo Município de SIRN e também pelo estado do Amazonas. A solução jurídica seria a delegação de competência, porém a considero indelegável, sob o crivo do MPF, cuja manifestação atinge 10 graus na escala Richter perante os administradores públicos. Peço ainda que leia o que respondi ao Kid agora há pouco, tratando de suposta retórica envolvendo o tema, é bem interessante. Abração, caro amigo.
  12. Caríssimo Kid, Na oportunidade em que produzi o ruído, segundo alguns, observei que tinha em mãos documentação oficial hábil para corroborar minhas informações e assertivas. Salientei ainda que em razão de sigilo profissional, não poderia fazer qualquer referência quanto a esses documentos e as fontes (oficiais) responsáveis por sua edição, que reflete uma efetiva mudança de posicionamento do poder público quanto a tutela dos interesses dos povos indígenas. Caro amigo, não creio se tratar de mera retórica. o que vem ocorrendo decorre de preceitos incorporados à Constituição Federal. De outro lado, na idade que tenho e pela experiencia acumulada em quase 40 anos de administração pública, sou plenamente capaz de farejar marmeladas e vicissitudes, por menor que sejam. Como também informei, tive participação direta no caso Marié, projeto-piloto da pesca esportiva em terras indígenas da Amazônia, nesse novo contexto. Interessante é que houve a publicação de edital na web visando selecionar operadora de turismo para essa proposição, e apenas 3 empresas (uma delas boliviana) apresentaram propostas segundo o Termo de Referência veiculado. A boliviana levou a melhor, partindo daí (2014) a avaliação dos resultados para então, com base neles, chegar-se a um modelo-padrão a ser adotado em todas as terras indígenas cujas populações manifestaram interesse na permissão da atividade de pesca esportiva. mediante retornos financeiros e outros benefícios bastante significativos. Essa modelagem jurídico-administrativa está sendo operacionalizada desde meados de 2015. Infelizmente, permaneço impedido (opção pessoal) de fornecer informações exatas e documentos sobre esse processo. A empresa que tiver interesse na matéria deve se utilizar dos próprios meios para chegar a seu âmago. Poderia até dizer que não há almoço grátis, mas não é o caso, numa época em que a informação vale ouro, em meu caso nada coloquei na prateleira para comercialização. Simples assim. O que posso adiantar - e daí será possível extrair se as costumeiras retóricas invadiram essa seara, é que na próxima temporada de pesca quem desenvolve operações em terras indígenas poderá (ou deverá, dependendo da seriedade oficial) ter surpresas desagradáveis que alcançarão, por inércia, seus clientes pescadores. Caso contrário, tudo permanecerá como dantes, sem um ordenamento que considero imprescindível para um salto qualitativo do setor, ainda que algumas empresas sejam tragadas por esse processo. Mas ao final é como ocorre nas aéreas, não é porque um indivíduo ou grupo possua alguma aeronave que em razão disso esteja autorizado a explorar a aviação comercial. Fico por aqui, caro amigo baiano (admito que errei por muito quanto à sua naturalidade). Fui casado por 40 anos com uma baiana nascida em Carrapichel) de um metro e meio de altura, mal medido. Tivemos 3 filhos, e a perdi num acidente de carro em 2010, mas continuo casado com ela. Nem gosto de falar sobre isso, faço uma honrosa exceção a você em razão da naturalidade. Abração.
  13. Caríssimo JC, continuamos a jogar frescobol, isso é muito positivo, na medida em que um facilita a resposta do outro, daí conseguimos uma boa simbiose. Dito isso, vamos aos pontos: a) Indubitavelmente, o desconhecimento gera insegurança, e dela deriva uma cadeia de reflexões negativistas, dando espaço à desconfiança,para ficar no mínimo. Por tal razão, cedo aprendi que, diante de alguma coisa nova, revestida de algum impacto, condiciono minha eventual manifestação ao prévio conhecimento do assunto. Creio ser esta a mais qualificada forma de internalizar o conhecimento e nos manifestarmos com efetiva qualidade. Entendo, de outro lado, que o Fórum foi concebido para congregar especialmente os aficionados da pesca, e ao submeter assuntos como o que vimos discutindo, sinto-me, de um lado, ligeiramente desconfortável por exceder ao que se espera de um pescador esportivo comum. Contudo, noutra vertente, entendo imprescindível que os temas que envolvem ou passam envolver a pesca esportiva, em sua natureza conservacionista, devam ser submetidos a esse universo de aficionados, de modo a permitir, sempre que necessário, a manifestação uníssona de milhares de cidadãos (e cidadãs) identificados com uma causa absolutamente defensável, influenciando políticas públicas e normatizações relacionadas aos recursos pesqueiros de nossas águas continentais, principalmente. Nessa seara, apraz-me bastante encontrar parceiros como você e o Kid, que comigo dividem esse profícuo debate, apesar de eu achar que o Kid sabe mais do diz saber, deve ser mineiro da gema, quem sabe? b) Ao que interessa: o amigo hierarquizou corretamente nosso ordenamento jurídico, e adentrou de sola no que prevê a Carta Magna relativamente aos povos indígenas, com especial ênfase na parte final do que estatuído no art. 231, § 2º: - "As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. Até ali, vigorou por tempo demasiado uma depreensão coletiva totalmente equivocada, calcada numa suposta condição fático-jurídica que os índios - e somente eles, poderiam utilizar os recursos naturais encontrados em suas terras. Daí as ponderações conclusivas de antropólogos quanto ao anacronismo da legislação indigenista do país. Entretanto, como você bem diz, os tratados internacionais integram a hierarquia de nossas leis. Mais que isso, possuem peso constitucional. Tal condição implica entender que nossa constituição é formada pelo texto atualizado, porém acrescida pelo conteúdo dos tratados dos quais somos signatários, e há vários deles, a exemplo do tratado da não proliferação de armas nucleares, do pacto de São José da Costa Rica e da Convenção 169 da OIT, sendo este o que mais nos interessa, visto que seu temário se debruçou exclusivamente sobre povos indígenas e tribais. Observe que a partir dessa convenção, em que os direitos dos povos indígenas foram profundamente debatidos, alguns princípios básicos foram ampliados e redefinidos, competindo ao estado brasileiro dar curso à sua efetivação. Veja algumas suas disposições do tratado, que entrou em vigor em 2004: "Art. 7, 1: Os povos interessados deverão ter o direito de escolher suas próprias prioridades no que diz respeito ao processo de desenvolvimento, na medida em que ele afete as suas vidas, crenças, instituições e bem-estar espiritual, bem como as terras que ocupam ou utilizam de alguma forma, e de controlar, na medida do possível, o seu próprio desenvolvimento econômico, social e cultural. Além disso, esses povos deverão participar da formulação, aplicação e avaliação dos planos e programas de desenvolvimento nacional e regional suscetíveis de afetá-los diretamente (...) Art. 15, 1: Os direitos dos povos interessados aos recursos naturais existentes nas suas terras deverão ser especialmente protegidos. Esses direitos abrangem o direito desses povos a participarem da utilização, administração e conservação dos recursos mencionados." Lembro o amigo que a partir desse novo e positivo marco legal passamos a ver terras indígenas e seus povos integrarem-se gradualmente ao processo de desenvolvimento econômico do país, a exemplo da exploração remunerada de jazimentos minerais de valor estratégico por empresas especializadas, na implantação de hidrelétricas em bacias de excepcional potencial energético e finalmente, na exploração ordenada e especializada do turismo etnocultural e da pesca esportiva, tudo em conformidade com a decisão dos povos indígenas envolvidos. Apesar de estarmos já em 2017, essas mudanças provocadas pela convenção tiveram seu início implementados pelos sucessivos governos federais a partir de 2005. Essa implementação observou a seguinte cronologia: 1) difusão dos termos da Convenção 169 junto aos povos indígenas; 2) criação e fortalecimento institucional de entidades representativas; 3) recepção de demandas e consultas envolvendo tais povos e suas respectivas decisões; 4) apresentação de relatórios à Funai pelas entidades representativas; 5) discussão e elaboração de normas de regência, segundo encaminhamentos e, 6) implementação das normas (pode-se entender como política específica). Essas políticas específicas, juridicamente ordenadas, passaram a integrar o arcabouço indigenista e econômico do país, atraindo de um lado investidores de setores interessados na exploração dos recursos naturais, e de outro, afetando drasticamente setores que vinham desenvolvendo atividades no vácuo de ordenamentos, como bem exemplifica o caso da pesca esportiva. Daí se explicam as mudanças inéditas ocorridas na bacia do Marié, e o restante seguirá inexoravelmente por rumo semelhante e sem ruídos, exceto pelos trovões e raios que fatalmente alcançarão os desprevenidos ou desavisados. Mais que isso, não tenha dúvida que esse processo logo invadirá as bacias habitadas por não-índios, em face de uma tal de "Rádio Cipó", que funciona às maravilhas na Amazônia das Florestas (é uma delas). Os ribeirinhos dessas comunidades passam a exigir tratamento igualitário, o que logo encerrará um ciclo (ou fase) em que o grosso do empresariado do turismo de pesca desenvolveu atividades de forma livre e desembaraçada, brigando apenas entre si por áreas e clientes. Caro amigo, você discorreu ainda sobre alguns pontos periféricos que confesso ter optado por comentar mais à frente, em razão do adiantado da hora. Conto com sua valiosa compreensão. Espero haver contribuído com o assunto em pauta, deixando um abração pra você e para o Kid, parceiros nesta pauta. Gilbertinho
  14. Prezado Astra, Pergunto respeitosamente qual a diferença entre as respostas do Rennó e a minha quanto à pergunta objetiva do Flávio, já que o amigo concorda literalmente com um e discorda literalmente de outro. Se eu não estiver pirando, as respostas objetivas são exatamente as mesmas, exceto pelo Rennó haver citado (corretamente) que o comando deveria ser no manche, aspecto que não adentrei em razão de o Savage ser fabricado sem console (modelo 5513, de 5 metros de comprimento e 1,68 de boca, como referido pelo Flávio). O segundo comentário do Rennó não respeita à pergunta feita pelo Flávio, só adentra outras possibilidades de aquisição, o que não foi objeto da pergunta e, caso fosse, aconselharia o Campineiro, da Mogi-Mirim (se tiver as mesmas características da versão tradicional da Levefort), que me serviu muito bem quando pescava nas corredeiras do Itiquira, em Mato Grosso, onde morei por duas décadas. Pra ter uma ligeira ideia, um bote com motor 15 com 2 pessoas não conseguia subir, só deslizava lateralmente ao sabor das pontas d'água. Já um 25 permitia ir a montante com boa margem de manobra e segurança. Gilbertinho Gilbertinho
  15. JC, Ó eu aqui de novo. Amigo velho, já cantei essa pedra quando postei os resultados da visita técnica que recentemente realizei em terras indígenas de SIRN, apoiado em documentos hábeis e outros elementos fáticos que me permitiram informar a turma do Fórum, objetivando evitar alguma futura frustração. Recordo que alguns notáveis da casa rotularam minha fala como "ruídos", e que por detrás dela havia interesses de gente (operadoras) interessada em criar um certo pânico visando acessar ambientes de pesca que cobiçavam, em detrimento dos demais que exploram tais áreas há um bom tempo (a turma dos "licenciados" em âmbito municipal e estadual). Pois bem, o lado bom da verdade é que ela sempre aparece (e prevalece). O que você levantou e postou agora é relevantíssimo, embora fosse para mim "matéria vencida", pois já era do meu líquido e certo conhecimento que uma nova (e positiva) realidade já estava em curso no que respeita ao turismo de pesca e o etnoturismo em terras indígenas, o que tentei expor em todas as minhas falas anteriores a respeito, e em parte fui mal interpretado. Faltava apenas aos desavisados uma diretriz de natureza político-administrativa, que já estava criada e em implementação. Quem sabe, sabe. E eu já sabia. De pronto, posso adiantar (não posso adiantar tudo o que sei) que a pesca esportiva nas terras indígenas do país (o que inclui sobejamente os afluentes do Negro) vai se dar nos moldes do Marié, que imagino ser do seu conhecimento. Se não for, conheço suas entranhas, basta pedir que lhe envio um resumo resumido. Vejo nisso tudo uma efetiva inclusão dos povos indígenas (e logo será também nas comunidades não indígenas) nos resultados financeiros das operadoras e, do mesmo modo, sei que o grosso da mão-de-obra também advirá dessas comunidades, responsabilizando-se o(s) operador(es) pela capacitação e contratação dos locais. Para tanto, quem vier a operar nessas áreas submeter-se-á ao crivo de análises técnicas documentais e também das sociedades envolvidas, que terão a palavra final. Adianto ainda que os operadores aprovados e autorizados deverão assegurar investimentos não reembolsáveis em desenvolvimento produtivo, urbanístico e humano nas comunidades onde atuarem. O processo observará aspectos de ordem legal e social, sem choro nem vela. Em resumo, o atual modelo de exploração da atividade da pesca esportiva será substituído por outro, mais justo, inclusivo, regrado, transparente, regularizado, supervisionado e fiscalizado. O setor necessita há muito evoluir para um patamar de efetiva integração à economia do país, harmonizando-se em plenitude com as imposições legais aplicáveis aos demais setores econômicos e por eles internalizados. Há um verdadeiro vácuo a ser preenchido nesse sentido, e são várias as razões (e com base nelas) que concorreram para as imposições jurídicas recentemente adotadas, com as quais me alinho perfeitamente. O fato a ser comemorado é o de nos apercebermos que tudo isso nos levará ao encontro do desenvolvimento sustentável, que para muitos é um caminho, e não um fim em si mesmo. Ainda assim, será um grande passo nesse sentido, sem nenhum embargo a que qualquer pessoa siga praticando a pesca dos "gigantes" da Amazônia. É como vejo, Embora este comentário não guarde relação direta com o que vimos discutindo sob aspectos gerais das leis de regência da temática socioambiental do país, estou na expectativa de nova provocação quanto a elas, como prometido, lembrando que todos os rios e paranás que citei dias atrás integram a bacia do Negro. Assim, considere que todos serão abrangidos pelos acordos de pesca do Amazonas, exceto os situados em terras indígenas e unidades de conservação federais factíveis de visitação para a pesca, até segundo e conclusivo exame. Abração e feliz 2017. Gilbertinho

Sobre nós

O Fórum Turma do Biguá (FTB) surgiu no ano de 2006. Na época os poucos fóruns de pesca que existiam estavam voltados a divulgação de produtos e marcas, ocasião em que o FTB foi criado com a intenção de reunir amigos e grupos de pesca de todo o Brasil sem vinculação a qualquer empresa ou produto..

Cadastre-se

Se cadastrando no fórum você terá acesso a conteúdos exclusivos e ainda poderá postar sua dúvida, opinião, ajuda e etc..