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André Zanforlin

Consciência e dor nos peixes ?

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O texto é meio longo, mas vale a pena a discussão! Dê sua opinião joia:::

Novas pesquisas mostram que peixes têm consciência e podem sentir dor

Günther Stockinger

Más notícias para os entusiastas da pesca: os peixes podem ser mais do que meras máquinas de reflexo, como se pensava. Novas pesquisas mostram que, aparentemente, eles têm consciência e podem sofrer com a dor, e os pesquisadores estão pedindo que sejam tratados da mesma forma que mamíferos e aves.

Será que milhões de pescadores amadores e esportivos estão errados? Eles acreditam que ter um anzol maligno preso na boca não machuca o peixe. Os entusiastas da pesca insistem que o sistema nervoso das criaturas aquáticas é primitivo demais para que sintam dor de verdade.

Depois de fisgarem o anzol, os peixes muitas vezes lutam de forma impressionante. Mas essa luta não confirma simplesmente como é pequena a agonia que vivenciam? “Se os anzóis de pesca fossem dolorosos, então um peixe fisgado não lutaria e aceitaria o puxar da linha de voa vontade, como um touro pode ser conduzido facilmente pelo anel nas narinas”, argumenta o pescador vienense Johann Braberntz no jornal “Der Fliegenfischer”.

Até agora, aficionados da pesca raramente foram acusados de crueldade, já que os peixes são vistos como forma de vida inferior. De fato, quase ninguém acredita que eles têm sentimentos como mamíferos e aves, e a maior parte das pessoas só têm sentimentos por animais de sangue quente.

Mas agora essa imagem de criaturas robotizadas que teriam uma memória de apenas três segundos está começando a rachar. As mais recentes descobertas de biólogos, neuro-anatomistas e pesquisadores de comportamento mostram que esses vertebrados antigos na evolução são muito mais do que máquinas de reflexo.

Pesquisadores da Universidade de Queen’s, em Belfast, provaram que, quando os peixes são sujeitos a estímulos de dor, os sinais não somem pela espinha. Os cientistas descobriram áreas da pele sensíveis diretamente por trás das brânquias de peixes dourados e trutas. Com a implantação de eletrodos, eles puderam mostrar que as células nervosas ali localizadas enviam sinais diretamente para o cérebro do peixe.

Quando os pesquisadores espetavam os animais com agulhas, uma fúria de mensagens neuronais eram transmitidas ao telencéfalo –a mesma região do cérebro onde os sinais de dor também são processados por animais e mamíferos.

Não um simples reflexo

Resultados similares agora foram alcançados com o salmão atlântico, a carpa e o bacalhau. “Esses estudos demonstram que áreas superiores do cérebro estão implicadas na resposta do peixe a eventos potencialmente dolorosos e que sua resposta não é um simples reflexo”, explica Lynne Sneddon, especialista em peixes da Universidade Chester, no Reino Unido.

Uma equipe de pesquisa espanhola pôde até identificar uma área no cérebro do peixe dourado que parece servir a uma função similar à do sistema límbico, região no cérebro humano que se torna altamente ativa quando as pessoas passam medo ou dor. Como nos mamíferos, esses receptores cerebrais no peixe consistem de uma série de estruturas anatômicas: sinais chegam para a amígdala e são processados por um filtro emocional, enquanto o hipocampo é para memória, mas também tem um papel importante na orientação espacial. Os pesquisadores buscaram por muito tempo em vão essas duas regiões, aparentemente porque estavam procurando no lugar errado. Acontece que, quando o peixe amadurece de embrião para adulto, sua arquitetura cerebral vira de fora para dentro: enquanto a amígdala e o hipocampo humanos são localizados profundamente nos hemisférios do cérebro humano, as estruturas comparáveis de um peixe desenvolvido se localizam diretamente na superfície do telencéfalo.

Testes comportamentais confirmaram esses resultados: os peixes dourados cujas estruturas comparáveis ao hipocampo no telencéfalo foram cirurgicamente desabilitadas subitamente perdem seu sentido de orientação –assim como os mamíferos cujas regiões cerebrais correspondentes foram desconectadas.

Além disso, quando os pesquisadores colocam as seções comparáveis à amígdala do telencéfalo fora de ação, os peixes deixam de aprender com os choques elétricos.

Isso prova que esses animais aquáticos supostamente insensíveis têm a estrutura necessária em suas cabeças para sentir medo e dor. “Apesar da estrutura e função do equivalente nos peixes ser mais muito que nosso sistema límbico, o fato que os cientistas descobriram a presença de estruturas similares é impressionante”, explica Victoria Braithwaite, zoóloga da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Alguns anos atrás, Braithwaite causou comoção com outra descoberta que fez sobre a fisiologia dos peixes. Ela encontrou mais de 20 receptores de dor em torno da boca e da cabeça da truta –ironicamente localizados precisamente onde os anzóis penetram na carne do peixe.

Esses receptores frontais do sistema nervoso reagem não apenas aos espinhos, mas também ao calor e agentes químicos. Combinados com as fibras nervosas especializadas que transmitem impulsos de dor, os receptores funcionam como os de outros vertebrados.

Consciência da dor

Mas os peixes são capazes de converter sua percepção desses sinais complexos em uma consciência da dor? Uma série de testes comportamentais sugere que sim.

Trutas cujos lábios foram injetados com veneno de cobra ou acido acético ventilam vigorosamente com suas brânquias por quase três horas e meia, param de se alimentar, se agitam para trás e para frente no assoalho do tanque ou esfregam os lábios nas paredes de vidro. Elas demonstram muito mais do que reações de três segundos.

A truta que foi sujeitada a agentes químicos nocivos não deu atenção a uma torre de Lego colorida introduzida em seu tanque, apesar de normalmente evitar novos objetos, sugerindo que sua atenção estava dominada pela dor. Contudo, os peixes que receberam anestésicos simultaneamente demonstraram o grau usual de cautela em relação aos objetos estranhos –porque a morfina aparentemente eliminara a dor.

Uma equipe de 20 especialistas trabalhando para a Comissão da UE em Bruxelas recentemente avaliou os experimentos feitos sobre o tema. Como todas as descobertas atuais sobre a capacidade dos peixes sentirem dor se baseiam em um número limitado de espécies, inclusive trutas, carpas, peixe zebra e peixe dourado, o grupo concluiu que não é possível, por enquanto, fazer maiores generalizações. Ainda assim, os especialistas reconheceram as seguintes conclusões sobre a vida emocional dos peixes: “Com estudos de sistemas setoriais, estrutura cerebral e funcionalidade, dor, medo e estresse, há evidências para componentes neurais da sensibilidade em algumas espécies de peixe.”

Os especialistas não apenas acreditam que os peixes são capazes de ter medo e dor, mas também sensações de prazer. Por exemplo, a oxitocina –chamada frequentemente de “hormônio do amor”- também foi documentada nos peixes.

Os defensores da pesca esportiva negam essas declarações como antropomorfismos inadmissíveis. Eles dizem que os atributos humanos foram inocentemente atribuídos aos animais.

Apesar dos defensores da pesca não poderem mais negar que os peixes têm um sistema para detectar sensações de dor, eles ainda sustentam que apenas um córtex cerebral altamente desenvolvido como encontrado em mamíferos pode produzir uma consciência dos estímulos de dor registrados. “Não há uma criatura humana escondida em um cérebro de peixe”, argumenta o pesquisador norte-americano James Rose, especialista muitas vezes citado pela indústria da pesca.

“A dor e o sofrimento do peixe não foram provados”, concorda Robert Arlinghaus, especialista em peixe do Instituto Leibniz de Ecologia de Água Doce e Pesca em Berlim. “Simplesmente não sabemos se os peixes têm tais sentimentos”.

Fluido cerebral

Para muitos especialistas, porém, a falta de córtex cerebral não parece mais ser uma razão suficiente para eliminar a possibilidade de consciência da dor. Casos médicos notáveis lançaram dúvida sobre essa velha escola de pensamento: neurologistas ocasionalmente relatam casos de pessoas que só têm metade do cérebro. Enquanto outros têm sinapses, esses indivíduos têm apenas fluido cerebral –e ainda assim muitas vezes são altamente inteligentes e bem adaptados socialmente.

Outros pesquisadores estão indo além. Eles sustentam que descobriram que mesmo invertebrados têm certa consciência de dor. Robert Elwood, especialista em comportamento animal da Universidade do Queens, em Belfast, aplicou acido acético à antena sensível dos camarões. Os crustáceos subsequentemente esfregaram as áreas afligidas por até cinco minutos. De acordo com Elwood, essa reação é reminiscente de como mamíferos reagem à dor.

O polvo, o mais inteligente de todos cefalópodes, talvez tenha uma vida emocional ainda mais diversa. Esses animais, que são famosos por suas contorções impressionantes, nunca param de surpreender os pesquisadores: conseguem abrir um frasco de remédios à prova de crianças se souberem que há delícias escondidas ali dentro e fazem fugas noturnas de tanques famosos por sua segurança são comuns. “Há muitas razões por que as pessoas não querem pensar sobre a dor entre invertebrados”, diz Elwood.

Os pescadores por hobby ou esportivos estão com medo que novas leis possam ser introduzidas que limitem seu prazer em pescar.

As leis atuais na Alemanha já estipulam que os pescadores só podem sair com sua vara e pescar se estiverem em busca de comida ou reduzindo os estoques para manter as populações de peixe saudáveis. Torneios onde o pescado é devolvido à água após ter sido pesado foram proibidos –além de uso de peixes como isca viva.

Os biólogos, contudo, não suspeitam primariamente dos pescadores solitários em rios e lagos de cometerem atos de crueldade sem sentido. Sua atenção é dirigida principalmente para as fazendas de peixes e para a pesca de alto mar industrial.

De acordo com Braithwaite, zoóloga da Pensilvânia, daqui a 20 anos, quase metade de todos os peixes que comemos serão criados em enormes fazendas em torno do mundo. “Se nos preocupamos em proteger porcos e frangos na indústria de alimentos, não devemos excluir os peixes”, argumenta.

Ela também diz que mais atenção deve ser dada para as enormes frotas de barcos de pesca que navegam pelos oceanos do mundo, de forma a garantir que as criaturas “sejam mortas de forma rápida e limpa”. “A maior parte das pessoas certamente não se sente confortável com as enormes quantidades de peixe que sufocam lentamente nos conveses dos navios”, acrescentou.

As instalações de pesquisa também estão passando por fiscalização crescente, pois os peixes estão cada vez mais substituindo os camundongos e ratos em laboratórios. Sneddon, especialista em Chester, acha que seria apropriado no futuro aplicar “diretrizes humanas” para essas criaturas mudas nos experimentos. Assim como com mamíferos, diz ela, “os pesquisadores devem administrar analgesia se não interferir com os resultados dos estudos”.

Tradução: Deborah Weinberg

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Esse tipo de estudo me parece algo muito mais mercantilista do qualquer outra coisa.Alguns pseudo-ecologistas-pesquisadores na realidade tem como objetivo criar dificuldade para a industria da pesca e afins,para depois vender o antidoto.Esse fime eh velho.Eles nao estao mirando em pescadores amadores e sim nas grandes empresas....$$$$$.

Abs.

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Minha humilde opinião.... a boca dos peixes predadores é seu orgão de ataque, estão sujeitos a milhares de ferimentos nesta região para se alimentarem tipo ferroadas dos esporões e nadadeiras dorsais pontiagudas de diversas espécies, dentadas de outros peixes que estão sendo comidos (uma piranha ou traira sendo comida por um tucuna p.ex deve tentar se defender mordendo a boca de seu predador ). Sendo assim, não acredito que exista dor nesta estrutura do peixes.

Agora, de mais a mais, se for pensar em dor e sofrimento, acredito que um cachorro poodle sofra muito mais (devido ao sistema nervoso ser infinitamente mais complexo e elaborado do que o do peixe) quando é levado para tomar banho e ser tosado do que um peixe que é fisgado, fotografado e solto, e ninguém fica fazendo pesquisinha pra medir isso.

Não quer causar nenhum sofrimento aos animais deste mundo....SUICIDE-SE!!!!. O banho quente que vc toma é às custas da eletricidade das usinas que mataram e desabrigaram milhares de animais para serem construidas, qualquer item metálico que vc usa, do clipes ao carro ( ou bicicleta dos eco chatos), do prego à estrutura da casa..... tudo era serra, casa de inumeros animais que foram mortos para ou desabrigados para se retirar o minério e produzir o aço. È vegetariano porque tem dó dos bichinhos...... vai ver o estrago que uma plantação de soja ou milho faz no meio ambiente (desmatamento, inseticida, pivô central etc).....

O homen tá aí e usufrui do mundo para seu bem estra ( mesmo que temporário). Tem coisas muito mais importantes e urgentes para serem questionadas do que essa de peixe sente dor!!!! Pesquisas deste tipo pra mim é dinheiro jogado fora!!!

Abraços

Beto

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Interessante. E como são profissionais da área têm que ter suas pesquisas ouvidas e respeitadas. Porém pelo visto não há nada definitivo ainda, estão apenas no campo das pesquisas e teses.

Na prática como se explica um trairão arrebentar 2 linhas, e com 2 iscas cravadas na boca atacar um terceira ainda, tudo isso num intervalo de 1 minuto. Situação corriqueira para este peixe.

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Concordo do o Celso, o Beto e o Xande. Nada conclusivo e parece pesquisa encomendada... Outra coisa: citaram um experimento com uma truta, onde injetaram ácido (!) e veneno de cobra (!!) no beiço da coitada. Ela ficou se esfregando e se contorcendo porque essas substâncias têm efeito contínuo e prolongado! Por que simplesmente não espetaram um anzol??? Talvez porque não queiram a verdade...

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Aos mais sensíveis e emotivos resta aposentar a tralha.

Ao restante, pescar sem peso na consciência , desde que se respeite todas as formas de vida, inclusive a humana.

Entendo que a pesca esportiva pode até criar dor e ferimentos aos peixes, mas ainda há a vontade de preservação das espécies e o respeito ao meio ambiente, pois sem isso não há pesca alguma.

Aos pesquisadores, todos os esforços são válidos para o aumento do conhecimento, mas cá entre nós, injetar veneno e vinagre(ácido acético) e não querer que o peixe sofra não é pesquisa científica séria.

peixe sente dor? claro que sente, pois a dor é uma evolução que visa a auto presevação. Se sentem da mesma forma que nós já é outra conversa.

Tem até gente que é fisgada pelas costas com aqueles anzóis e não reclamam, até pagam pra sofrer.

abraços a todos

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Sou reticente quanto a este tipo de texto.

A maioria deles deturpa informações científicas sérias em benefício de um grupo com outras intenções, ficando claro que este foi gerado/elaborado por radicais ecologistas a partir de "pedaços" de algumas pesquisas.

Nao sou a favor de tortura alguma, apenas critico o texto. Textos que realmente merecem crédito sao artigos científicos publicados em revistas científicas de renome e de área estrita, em que o artigo passa por uma série de revisores honestos e sem viéz, por exemplo: Applied Animal Behaviour Science , Animal Behaviour, Journal of Animal Science e assim por diante.

Nao é minha área de atuação, portanto, opinar sobre o que foi apresentado seria leviano, muito embora, o texto também seja leviano. Por exemplo: citam "um grupo de pesquisadores"... sem dar referência.. então, como dar crédito? estas pesquisas foram publicadas onde? apenas para termos como buscá-las e lê-las com parcimônia e isenção...

em qualquer artigo científico, que é o reultado direto da pesquisa científica, há a necessidade e obrigatoriedade dos autores apresentarem a metodologia com que o trabalho foi realizado, nao apenas os tratamentos aplicados. Ou seja, como foi feito, como foi aplicado e como foi avaliado.. sem isso é mesma coisa de peixe pego e sem foto..rsrsrs... é boato!

infelizmente, neste mundo de internet, a notícia se propaga sem o devido respaldo e muitos "compram" a idéia. Parece que a comunidade européioa viraram um bando de eco-chatos depois que desmataram toda a Europa. Mas realmente faltam trabalhos nesta linha no Brasil, sendo anseios do pesque-solte, a comprovação científica da prática. Me pergunto se o CNPq financiaria um projeto com este escopo?

A minha posição é a do bom senso: acho que não há formação nervosa na boa de predadores como o tucunaré, portanto, continuo pescando, mas mais do que isso, procuro auxiliar na preservação das especies e no ambiente em que estas vivem. Como disse o Yamaki: respeito á vida, inclusive a humana!

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A boca nos peixes é um órgão de ataque, defesa e ainda importante para a alimentação. É um órgão adaptado para conseguir suportar danos e cicatrizar-se rapidamente.

No entanto como qualquer animal, a dor é um estímulo que freia exageros e serve inclusive como fator de proteção.

Creio que os peixes sintam, sim, dor. Talvez não tão intensa como outros animais, mas uma anzolada é sim um fator de estresse para eles.

Não deixarei de pescar por isso, como não deixo de comer carne porque animais perdem a vida.

Sou contra abusos e tortura, e, apesar de ser ciente que peixes sentem um fator estressante ao serem fisgados, não creio que este sentimento se iguale propriamente a dor como a conhecemos (pelo menos em algumas espécies, principalmente às carnívoras).

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A boca nos peixes é um órgão de ataque, defesa e ainda importante para a alimentação. É um órgão adaptado para conseguir suportar danos e cicatrizar-se rapidamente.

No entanto como qualquer animal, a dor é um estímulo que freia exageros e serve inclusive como fator de proteção.

Creio que os peixes sintam, sim, dor. Talvez não tão intensa como outros animais, mas uma anzolada é sim um fator de estresse para eles.

Não deixarei de pescar por isso, como não deixo de comer carne porque animais perdem a vida.

Sou contra abusos e tortura, e, apesar de ser ciente que peixes sentem um fator estressante ao serem fisgados, não creio que este sentimento se iguale propriamente a dor como a conhecemos (pelo menos em algumas espécies, principalmente às carnívoras).

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Andre, nesse vou dar minha opinião: a hipótese levantada é que peixes sentem dor. Daí nesse tópico e no outro semelhante vi muitos questionamentos sobre a validade da pesquisa, em um sentido de que são necessários estudos mais elaborados para se aceitar isso como sendo verdade. E em um passo além, defendeu-se que isso não serve de argumento para críticos da pesca esportiva.

Por outro lado, temos a alternativa de que os peixes NÃO sentem dor (ou que o anzol não lhes causa dor). Então advém: cadê os estudos que atestam isso? Se precisamos de estudos para crer que sentem dor, por que não precisamos de estudos para crer que não sentem?

Eu tenho comigo que sentem sim. A dor não é exclusividade nossa, e peixes, mamíferos e aves possuem uma origem comum, ainda que tenha sido há muito tempo. Pode ser que a dor existe desde lá, simplesmente pq favorece muito a chance de sobrevivência de quem possui tal habilidade. Afora isso,temos evidências, ainda que empíricas: peixes que são rotineiramente pescados e soltos, como em pesque-e-pagues com sistema de pesque-e-solte, são certamente mais astutos e manhosos. Por quê? Aposto que ele não gostou nada de ser pescado e solto, e a memória retida da sensação ruim (dor??) se sobrepõe ao instinto da fome, daí ele evita o engodo. E será que um peixe, ao ser fisgado, briga e pula tanto de feliz?

Agora derivando o assunto a conclusões mais práticas, creio que isso, pode sim, ser usada como argumento contra a pesca esportiva: maltratamos os peixes com a motivação única de nos divertir, e isso não é bom, se analisado no mundo ideal. Porém, no mundo real é diferente. Em teoria, uma espécie não PRECISA, ou não deveria precisar, ser fisgada para ter direito a vida. Mas na prática, num contexto em que o interesse econômico se sobrepõe a tudo, esse "mal-trato" pode ser justamente a salvação para aquela espécie de peixe. Explico: a pesca esportiva gera renda, e depende do peixe. O peixe, por sua vez, depende do ambiente conservado. Assim, a atividade econômica motiva a conservação do ambiente em que aquela espécie vive. E essa sim, é uma grande virtude da pesca esportiva. Quando há outra atividade econômica que gera mais renda que a pesca, mas que degrada o ambiente, daí dane-se o peixe (ex: hidrelétrica). O mesmo raciocínio se aplica à caça:se caça (esportiva) desse lucro no Brasil, teríamos ambientes conservados com bichos vivendo dentro para alguns indivíduos serem caçados, e a espécie seria preservada. Como isso não existe por aqui, e o agronegócio da mais lucro, decorre que a vegetação natural é suprimida e as espécies são extintas localmente. Mas caçar não pode, pq é "judiação"...

Esse papo pode parecer muito filosófico para alguns, mas talvez não seja tanto assim. Na Alemanha, Suiça, e em outros países europeus que não me lembro agora o pesque e solte é proibido, por ser considerado mau trato. No outro extremo, o país mais capitalista-consumista do mundo incentiva fortemente o pesque solte, haja vista o intere$$e. Mas com certeza, pelo menos aqui no nosso Brasil, acho que isso (pesque e solte = mau trato) está longe da realidade, ainda.

Espero ter contribuído com a discussão, abraços e vamos pescar!

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estas são muito boas considerações michel!

também acredito que os peixes sentem dor e fazem de tudo pra tentar escapar do anzol de qualquer jeito!

de certo modo eu sinto remorso muitas vezes, principalmente quando a isca pega na cabeça, lombo ou até no olho do peixe, ou quando estoura a linha e eu fico pensando que com a isca entalada na boca ele não vai poder se alimentar, vindo a morrer lentamente...nesse ponto acho crueldade realmente.

também observei que no momento da retirada das garatéias, ato contínuo, o peixe se debate, provavelmente porque deve ter sido bem dolorido.

como pescar é uma das coisas que eu mais gosto de fazer, aposentar a tralha é muito complicado! mas eu tento minimizar, se isso é possível, o impacto causado, ou seja, eu limo todas as farpas das garatéias, deixo o peixe fora d'água o mínimo possível, evito esgaçar a boca do peixe, etc. tento "tratar" ele da melhor maneira possível, e estas são as justificativas que eu dou pra minha mulher aqui em casa, muito embora, nada que eu tenha dito faça ela mudar de idéia...hehehehe

é curioso isso, mas para que eu sinta prazer, e eu sinto muito prazer pescando, é preciso que eu torture um animal. eu até evito ficar pensando muito nisso, mas esse tipo de pensamento me assombra o tempo todo...

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